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Introdução: Nas últimas décadas, o uso de dispositivos de ecrã por crianças e adolescentes aumentou, levando a preocupações sobre os seus efeitos. Estudos apontam correlações entre o tempo de exposição a ecrãs e problemas psicológicos, de saúde e de aprendizagem em crianças. Organizações de saúde emitiram recomendações para limitar o TE em crianças, mas muitas vezes essas recomendações são ultrapassadas. Fatores como estrutura familiar, educação dos pais e condições socioeconómicas estão ligados ao tempo de ecrã das crianças. O objetivo geral deste estudo foi descrever as características familiares associadas ao TE nas crianças com idades entre os 3 e os 15 anos e investigar possíveis associações.Material e Métodos: Desenhou-se um estudo observacional, transversal e exploratório. Os participantes, convidados a auto preencher um questionário eletrónico, foram inquiridos sobre características familiares, hábitos de consumo e TE dos filhos. Aplicou-se o NEO-FFI-20 como método de avaliação de personalidade do progenitor e o QDEP para avaliação do estilo parental.Resultados: Totalizou-se uma amostra de 304 (100%) indivíduos, 86,5% do sexo feminino, com uma média de idades de 40,45±5,26 anos. Registaram-se relações estatisticamente significativas entre a idade dos pais, o tempo de ecrã dos pais, a escolaridade, o estado civil e a tipologia familiar, o número de filhos e a idade do filho em estudo e várias variáveis de exposição a ecrãs, incluindo idade de início, exposição semanal e exposição ao fim de semana, em diferentes contextos de utilização. O traço de personalidade "amabilidade" do progenitor esteve significativamente associado à idade de início de exposição (p=0,019) e exposição semanal a programas infantis (p=0,022); o "neuroticismo" à exposição semanal (p=0,006) e ao final de semana (p=0,035) a telemóveis; a "extroversão" à exposição a videojogos durante a semana (p=0,031); a "abertura à experiência" à exposição a telemóvel ao fim de semana (p=0,032); a "conscienciosidade" à exposição semanal a computador (p=0,006) e a programas para adultos (p=0,031) e exposição a videojogos durante o fim de semana (p=0,014). Discussão e Conclusão: Foram encontradas relações entre as características familiares e a personalidade dos progenitores estudados com o tempo de exposição a ecrãs dos filhos. Existem limitações importantes neste estudo, incluindo o predomínio da resposta materna e a análise unilateral dos estilos parentais e personalidades parentais, comprometendo a compreensão total da influência parental sobre o TE. Estas relações demonstram a importância de conhecer e intervir junto dos pais e famílias no sentido de adaptar as práticas de exposição a ecrãs às recomendações atuais.
Introduction: Over the past decades, the use of screen devices by children and adolescents has increased, leading to concerns about its effects. Studies indicate correlations between screen exposure time and psychological, health, and learning problems in children. Health organizations have issued recommendations to limit screen time in children, but often these recommendations are exceeded. Factors such as family structure, parental education, and socioeconomic conditions are linked to children's screen time. The overall aim of this study was to describe family characteristics associated with screen time in children aged 3 to 15 years and investigate possible associations. Material and Methods: An observational, cross-sectional, and exploratory study was designed. Participants, invited to self-complete an electronic questionnaire, were asked about family characteristics, consumption habits, and children's screen time. The NEO-FFI-20 was applied as a method for assessing parental personality, and the QDEP for evaluating parental style. Results: A sample of 304 (100%) individuals was totaled, 86.5% female, with a mean age of 40.45±5.26 years. Statistically significant relationships were found between parents' age, parents' screen time, education, marital status, family typology, number of children, child's age under study, and various screen exposure variables, including age of onset, weekly exposure, and weekend exposure, in different usage contexts. The parental personality trait "agreeableness" was significantly associated with age of onset of exposure (p=0.019) and weekly exposure to children's programs (p=0.022); "neuroticism" with weekly (p=0.006) and weekend (p=0.035) exposure to mobile phones; "extroversion" with weekday exposure to video games (p=0.031); "openness to experience" with weekend exposure to mobile phones (p=0.032); "conscientiousness" with weekly exposure to computers (p=0.006) and adult programs (p=0.031) and weekend exposure to video games (p=0.014). Discussion and Conclusion: Relationships were found between family characteristics and parental personality traits studied with children's screen time. There are significant limitations in this study, including the predominance of maternal response and the unilateral analysis of parenting styles and parental personalities, compromising the full understanding of parental influence on screen time. These relationships demonstrate the importance of knowing and intervening with parents and families to adapt screen exposure practices to current recommendations.
Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de Medicina
tempo de ecrã, personality, screen time, parenting, personalidade, parentalidade
tempo de ecrã, personality, screen time, parenting, personalidade, parentalidade
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