
O presente artigo tem como objetivo analisar o conto Piolhos, memória e outras pragas, de Priscila Branco, com foco na construção da memória e do trauma dentro da narrativa feminina contemporânea. A metodologia utilizada é a pesquisa bibliográfi ca orientada pela análise literária. O estudo parte de uma perspectiva político-literária, privilegiando o texto enquanto manifestação de uma experiência social coletiva. O referencial teórico fundamenta-se em autores como Freud, Schopenhauer, Botella & Botella, e Ramos, que refl etem sobre a memória, o trauma e a psique. A análise demonstra como o conto articula elementos da memória e da dor psíquica por meio de uma narrativa em fl uxo de consciência, em que a protagonista rememora, de forma fragmentada, episódios traumáticos da infância. A estrutura textual e os recursos narrativos mobilizados criam uma atmosfera que tensiona a fronteira entre o vivido e o recordado. Os resultados indicam que a memória, nesse conto, não opera como reconstituição factual, mas como reencenação simbólica do trauma. A pesquisa contribui para os estudos da literatura de autoria feminina, evidenciando como a narrativa contemporânea pode elaborar experiências psíquicas de forma estética e política.
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