
handle: 1822/77581
As micotoxinas são compostos tóxicos presentes em muitos produtos alimentares. A sua presença e persistência durante o processamento de alimentos representa um desafio para a saúde humana, animal e ambiental. Na cadeia alimentar, a micotoxina original pode transformar-se em outros compostos tóxicos, chegando ao consumidor. Um bom exemplo é a ocorrência de aflatoxina M1 (AFM1) em laticínios, que se deve à presença da aflatoxina B1 na alimentação animal. Este projeto focou-se na avaliação das principais tendências de ocorrência de AFM1, utilizando os dados científicos disponíveis para avaliação de risco e identificação de lacunas existentes com o intuito de gerar novos dados. Uma revisão sistemática da literatura foi realizada para estudar a possível relação entre a concentração de AFM1 e a década de amostragem, continente, tipo de produto lácteo e espécie animal. Através da metodologia PRISMA, foram identificados 4922 artigos e 329 foram selecionados, incluindo 110 mil dados de ocorrência nas últimas três décadas. Este estudo revelou que (i) o leite apresentou a menor concentração de AFM1, enquanto a manteiga e o queijo apresentaram as maiores; (ii) a ocorrência da AFM1 apresentou uma tendência crescente entre 1990-2019 e (iii) o continente Africano apresentou os níveis mais elevados de AFM1, confirmando as preocupações respeitantes à Segurança Alimentar (sensu lato) na região. Foi também realizada, uma avaliação da exposição mundial à AFM1 pela ingestão de leite e iogurte, queijo e manteiga. A Europa e a América Latina apresentaram maior risco que a África e a Ásia, justificado pela maior ingestão do segundo produto lácteo mais consumido – queijo. Grande parte da literatura considera apenas leite na avaliação da exposição, e este estudo evidencia o risco de subestimar o consumo de outros laticínios. Para avaliar o destino da AFM1 no queijo ao longo do processo produtivo, foram realizadas quatro produções de queijos, utilizando leites de ovelha e de cabra contaminados artificialmente com AFM1. Os resultados mostraram que (i) a coalhada apresentou sempre uma maior percentagem e concentração de AFM1 em relação ao soro de leite (ii) observaram-se concentrações mais baixas de AFM1 no soro de leite de ovelha do que no de cabra e (iii) na fase de maturação foram observadas mudanças significativas em base húmida, mas não em base seca, o que pode estar relacionado com o teor de humidade. Considerando que (i) o queijo é o segundo tipo de laticínio mais consumido; (ii) o fabrico de queijo concentra a toxina e (iii) há tendência de aumento de AFM1 nos laticínios, o controlo deste perigo é necessário para garantir a segurança do consumidor. Por sua vez, este trabalho levanta a questão da necessidade de adotar limites legislativos em queijo como medida preventiva do risco contra a AFM1.
Segurança Alimentar, Food Safety, Aflatoxins, Aflatoxinas, Produtos lácteos, Avaliação de Risco, Risk Assessment, Dairy products
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