
handle: 1822/44222
“O tempo e o modo de um estudo sobre o salazarismo” constitui o Prefácio à 2.ª edição do livro O Olho de Deus no Discurso Salazarista, que reproduz a tese de doutoramento que o autor defendeu na Universidade de Ciências Humanas de Estrasburgo, em 1984. Este estudo sobre o salazarismo interroga a política geral do sentido, própria do discurso salazarista, que o mesmo é dizer, o seu regime de verdade. A interrogação sobre um tal regime levou o autor a relacionar o discurso salazarista com a temporalidade, e portanto com a memória histórica do povo português, através de exercícios do olhar, da memória, do desejo e da vontade. Feita a análise, pôde concluir-se que o regime de verdade salazarista impôs ao país um imaginário colectivo, que preserva a unidade da nação e combate a sua fragmentação; realiza a regeneração nacional e combate a sua degenerescência; cumpre a verdade da pátria e combate a sua dissimulação e contrafacção. Da mesma forma, no imaginário que é imposto à nação portuguesa, as figuras de decadência, degenerescência e doença da nação são contrapostas às imagens da sua reabilitação, regeneração e saúde. Por sua vez, na relação entre o regime de verdade salazarista e a construção do espaço nacional, foram ainda analisadas as figuras de unidade nacional e de recta razão, assim como as imagens que se lhes contrapõem de fragmentação e de ordenamento irracional do espaço nacional. Passados trinta anos sobre a elaboração deste estudo, a figura de imaginário salazarista passou a ser utilizada pelos próprios historiadores, que a princípio a desconsideraram. Procuram explicar, deste modo, a longevidade do regime salazarista, por razões que não se cingem ao exército, à censura, à polícia política, à prisão e ao degredo. É o que se passa, por exemplo, com Fernando Rosas, que explicitamente pergunta, no livro que publicou em 2012, Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar: por que razão durou o salazarismo? A sua resposta, no entanto, afasta-se da proposta feita pelo autor de O Olho de Deus no Discurso Salazarista. Não é pelo lado da identificação de Salazar com uma “boa dona de casa”, que é uma figura maternal, que Fernando Rosas lê a saudade de um tempo medieval, enfim, a concordia de um país rural. É antes pela “honrada modéstia de um caseiro rural”. E da mesma forma, também não é pela exaltação do “navegador-guerreiro das caravelas”, enfim, pela exaltação do imperium, que Fernando Rosas lê o sebastianismo salazarista, mas antes pela invocação da figura do “guerreiro moderno e viril”. As imagens convocadas por Fernando Rosas acentuam as características de um regime “de vocação totalitária”, que age pela força e agride “os espaços tradicionais da privacidade ou da autonomia”, manifestando, pois, uma “natureza comum” aos regimes nazi e mussoliniano. Em contrapartida, aquilo que é proposto em O Olho de Deus no Discurso Salazarista é que as figuras da “dona de casa” e do “navegador-guerreiro das caravelas” apenas assinalam a natureza de um regime tradicionalista e autoritário, mais paternalista do que de coerção violenta, um regime todavia “limitado pela moral e pelo direito”.
Fascism, Fascismo, Discurso, Imaginary, Scientific writing, Salazarism, Imaginário salazarista, Igreja Católica, Speech, Escrita científica, Salazarismo, Catholic Church
Fascism, Fascismo, Discurso, Imaginary, Scientific writing, Salazarism, Imaginário salazarista, Igreja Católica, Speech, Escrita científica, Salazarismo, Catholic Church
| selected citations These citations are derived from selected sources. This is an alternative to the "Influence" indicator, which also reflects the overall/total impact of an article in the research community at large, based on the underlying citation network (diachronically). | 0 | |
| popularity This indicator reflects the "current" impact/attention (the "hype") of an article in the research community at large, based on the underlying citation network. | Average | |
| influence This indicator reflects the overall/total impact of an article in the research community at large, based on the underlying citation network (diachronically). | Average | |
| impulse This indicator reflects the initial momentum of an article directly after its publication, based on the underlying citation network. | Average |
