
handle: 1822/40481
O universo do imenso império dos czares constituiu durante longo tempo, e ainda hoje em parte permanece, uma espécie de um lugar misterioso para todo o ocidente. As relações entre os dois lados eram limitados e pouco frequentes. A situação geográfica portuguesa, no extremo ocidental da Europa, potenciou particularmente esta situação. Todavia, e curiosamente, começaram cedo as relações entre a Rússia e Portugal. Do longo e vasto caminho que percorremos e que apontámos, fazemos sobressair alguns nomes de entre muitos focados: o do ilustrado médico português Ribeiro Sanches, que entrou em vários segmentos na história da Rússia; o daquele que se assumiu sem peias como discípulo do grande Tolstói, o literato Jaime de Magalhães Lima; o do ensaísta e literato António Quadros; e o de um russo residente na Madeira de nome Vakcel. Quanto aos campos escolhidos para análise, demos relevância às memórias de viagens, à imprensa periódica e a um importante estudo escrito do século XIX, em português, sobre a literatura russa. Queremos percorrer um pouco destas relações para melhor entender a importância e os modos do que constitui o núcleo central do nosso percurso: por um lado, proceder à hermenêutica, situar, estabelecer fronteiras e entender os ecos recetivos da literatura russa em Portugal convergindo para o caso de um dos mais notáveis nomes da literatura mundial com incidência relevante numa das suas obras. Falamos do nome de Leão Tolstói e do seu romance-epopeia Guerra e paz; por outro, percorrer uma parte do universo das traduções para a língua portuguesa desta obra através de uma abordagem contrastiva com assento em teorias modelares no sentido de fazer sobressair o funcionamento e as vicissitudes dessas traduções no contexto português de chegada, quer na situação de traduções diretas quer de traduções mediadas através da língua francesa. Para o nosso estudo de caso de Guerra e paz partimos de uma perspetiva comunicativo-funcional que nos permitiu analisar os fatores comunicacionais envolvidos na comunicação intercultural de culturas e línguas muito diferentes e específicas. Desta forma, partimos, em primeiro lugar, da abordagem semiótica de Mikhail Bakhtin e Iúri Lotman, bem como da teoria de polissistemas de Itamar Evan-Zohar. Isso permitiu-nos analisar o comportamento das traduções no polissistema de chegada. Paralelamente, a teoria comunicativo-funcional permitiu-nos realizar a análise do processo comunicacional entre as duas culturas em foco. Estas duas vias eram as que, a nosso ver, mais adequadas se apresentavam para a realização do caminho escolhido, face às características poéticas da obra tolstoiana e às estratégias adotadas pelos tradutores portugueses na resolução dos problemas das traduções realizadas. O caráter inovador da literatura russa em geral, bem como a importância das obras tolstoianas em particular para a literatura e cultura portuguesas, fica claramente demonstrado através do múltiplo material recolhido e analisado ao longo do todo o trabalho. As abundantes traduções portuguesas das obras tolstoianas, mesmo sendo mais tardias do que nas outras línguas da Europa Ocidental, foram, de facto, indicadores evidentes da importância deste autor russo para o polissistema cultural e literário português.
Portugal, Teoria de polissistemas, Theory of polysystems, War and peace, Guerra e paz, Leo Tolstoy, Leão Tolstói, Interculturality, Translation studies, Rússia, Literature, Literatura, Interculturalidade, Estudos de tradução
Portugal, Teoria de polissistemas, Theory of polysystems, War and peace, Guerra e paz, Leo Tolstoy, Leão Tolstói, Interculturality, Translation studies, Rússia, Literature, Literatura, Interculturalidade, Estudos de tradução
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