
O processo de desenvolvimento de sistemas informáticos deve ser orientado ao cliente. Sistemas que utilizam tecnologia de ponta, desenvolvidos e concluídos em tempo útil e dentro do orçamento disponível, podem não ter uma utilização plena, ou mesmo não serem usados, se, entre outros, os requisitos do cliente não forem devidamente captados e transformados em aplicações. Modelos semi-formais e visuais de informação, como os contidos na Unified Modeling Language (UML), que permitem visualizar, especificar, construir, e documentar os componentes de um projecto, e processos que utilizem esses modelos com benefício para o cliente final, como o Rational Unified Process (RUP), conduzem a um maior entendimento entre os engenheiros de software e os clientes. Os clientes finais para soluções de software podem ser agrupados em duas classes distintas, classificados segundo as expectativas relativas às soluções que adquirem: os utilizadores pessoais, como os que usam sistemas operativos ou outras aplicações previamente desenvolvidas; e as organizações, que, além de conterem utilizadores de software semelhantes aos utilizadores pessoais, são elas próprias a base de execução de processos de negócio muitas das vezes sustentados por soluções de software. É neste último tipo de utilizadores que, nesta dissertação, é centrada a atenção sobre o processo de desenvolvimento de produtos de software. Actualmente, as organizações tendem a afastar-se de modelos piramidais hierárquicos subdivididos em departamentos, nos quais o trabalho é executado por colaboradores com uma visão parcial da organização, e tendem a organizar-se em equipas multidisciplinares que têm sob a sua responsabilidade processos horizontais que podem atravessar toda a organização. Deste modo, a abordagem no desenvolvimento de sistemas de software deve ser bifocal: o processo de desenvolvimento do software deve ser adequado e controlado; e a plataforma organizacional onde os processos vão ser executados deve ser modelada e considerada, tanto na organização que desenvolve o software como na organização onde o produto vai ser utilizado. Nesta dissertação é proposto um modelo genérico para organizações orientadas aos processos, que serve de base à modelação de organizações alvo. Com base neste modelo, é também proposto um modelo de processos para organizações que desenvolvem software, a sua respectiva forma de gestão, e a instanciação dos seus processos com os fluxos de trabalho do RUP sempre que disponíveis ou com outro tipo de processos. São também apresentados dois casos de estudo relacionados com o uso de UML e do RUP para desenvolver software para organizações alvo orientadas a processos.
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