
handle: 1822/17757
A mudança nos horários de trabalho, especialmente a sua diversificação, tem sido, porventura uma das maiores alterações que ocorreu nas últimas décadas nos contextos organizacionais. Entre as várias modalidades de organização do tempo de trabalho, consta a relativa ao trabalho por turnos, tendo tal modalidade sido associada a vários efeitos para o trabalhador (ex., saúde) e para a organização (ex., segurança), especialmente em conexão com o horário de trabalho noturno. Efeitos do ponto de vista familiar e social são também frequentemente associados a este modo de organização do tempo de trabalho, embora neste domínio, tanto podem ser experienciadas pelos trabalhadores e suas famílias desvantagens (ex., conflito entre os papéis parentais e laboral) como vantagens (ex., mais tempo livre). O presente trabalho propõe-se a apresentar um estudo que decorreu numa empresa industrial localizada na região norte de Portugal, constituindo a compreensão dos efeitos em função dos turnos praticados o seu objetivo primário. Especificamente, os turnos foram comparados de modo a compreender as implicações do trabalho por turnos ao nível da saúde (sono, sistema gastrointestinal e robustez psíquica); das “características circadianas” (tipo matutino e tipo circadiano); do suporte do contexto organizacional ao nível da gestão dos horários de trabalho; da satisfação geral com o horário de trabalho (turno); e do contexto social e familiar. Os dados foram recolhidos por questionário durante os meses de maio e junho junto a, aproximadamente, 500 trabalhadores, distribuídos pelos seguintes turnos: manhã fixo (06:00h-14:30h); tarde fixo (14:30h-23:00h); noite fixo (23:00h-06:00h) e turnos rotativos (envolvendo a rotação entre quatro equipas de trabalho). Da análise dos resultados concluiu-se que, efetivamente existem diferenças estatisticamente significativas entre os turnos ao nível da saúde e da satisfação com a vida familiar e social. Contudo, estas diferenças não foram ao encontro do esperado, nomeadamente ao nível das perturbações no sono e gastrointestinais. Através da realização de testes estatísticos verificou-se que tais resultados poderão dever-se à influência da idade e antiguidade em trabalho por turnos e no turno atual, variáveis que têm sido referidas na literatura como tendo grande importância na in(adapatação) do indivíduo ao turno. Face o exposto e dada a importância que os efeitos do trabalho por turnos tem vindo a assumir na nossa sociedade, procurou-se discutir, igualmente, as possibilidades de intervenção passíveis de serem disponibilizadas por parte das organizações que implementam tais configurações horárias à luz dos resultados encontrados.
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