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As figuras parentais se constituem como o primeiro agente no processo de desenvolvimento social e emocional da criança, nomeadamente, através dos estilos parentais. A literatura sustenta que os estilos parentais adotados exercem um impacto no ajustamento psicossocial da criança, nomeadamente através da regulação emocional. O objetivo geral do presente estudo é compreender o impacto dos estilos parentais na regulação emocional da criança durante a terceira infância, de acordo com a percepção dos pais. O presente estudo de metodologia mista, inclui primeiramente um estudo transversal, observacional, comparativo e correlacional, e a segunda parte um estudo de caráter qualitativo através de uma entrevista semiestruturada, pretendendo compreender a relação e integrar os resultados quantitativos indicadores dos estilos parentais ou estratégias de regulação emocional, com a análise qualitativa dos processos psicológicos envolvidos. Um grupo de 130 pais brasileiros, 102 mães (78.5%) e 28 pais (21.5%) com idades entre 28 e 59 anos (M = 40.12; DP = 6.12), maioritariamente casados (80.7%) com 12 anos de escolaridade (38.5%) ou ensino superior (33.8%) com filhos entre os 6 e os 12 anos, participaram de forma voluntária respondendo ao Questionário Sociodemográfico, ao Questionário de Estilos Parentais para Pais (PAQ-P) e ao Questionário Emotion Regulation Cheklist (ERC). Um subgrupo de 20 pais realizou entrevistas, transcritas e analisadas através da análise de conteúdo. Os resultados indicam que o estilo parental autoritativo é o prevalente, seguido do autoritário e do permissivo. Verificamos diferenças significativas segundo a função parental, percepcionando-se as mães como mais autoritárias do que os pais; porém, o estilo autoritativo ainda foi o mais prevalente para ambos: mães e pais. O estilo parental autoritativo correlaciona-se positivamente com a regulação emocional das crianças, principalmente para o grupo de crianças do sexo feminino e para o grupo de mães. Quando os pais exercem o equilíbrio entre controle e afeto/responsividade na educação dos filhos, menor é a labilidade/negatividade e maior a regulação emocional adaptativa da criança. Os resultados qualitativos são maioritariamente coerentes com os quantitativos em termos de crenças e de práticas parentais características do estilo autoritativo e com estratégias de regulação emocional parental adaptativas e o fomento das mesmas na gestão emocional dos filhos. O discurso dos pais indica que no que concerne à expressão emocional mais negativa dos filhos, se apoiam nas mães, ou lhes delegam esta gestão emocional. Os resultados corroboram pesquisas anteriores quanto à relação entre o estilo autoritativo e a regulação emocional adaptativa dos filhos. Este estudo sublinha a importância da parentalidade positiva e disponibilidade dos pais para o desenvolvimento afetivo da criança, na forma com o regula as suas emoções, fator relevante para o seu ajustamento psicossocial. Contribui para o conhecimento do funcionamento familiar com informações pertinentes para elaboração de programas que auxiliem os pais no desenvolvimento de competências parentais positivas relevantes para o ambiente emocional familiar, para o bem-estar e ajustamento psicossocial da criança.
família, terceira infância, metodologia mista, Estilos parentais, regulação emocional da criança
família, terceira infância, metodologia mista, Estilos parentais, regulação emocional da criança
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