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O aumento da prevalência da toxicodependência a nível mundial tem vindo a revelar-se cada vez mais preocupante para a sociedade e para o próprio individuo. Esta representa um grave problema social, quer pelas suas consequências ao nível de saúde pública quer pela criminalidade associada. A toxicodependência traduz-se basicamente numa dependência física e psicológica resultante do consumo excessivo e repetido de substâncias lícitas ou ilícitas. Estudos de epidemiologia genética demostram que a componente genética contribui para o desenvolvimento da dependência da nicotina, álcool e drogas, com uma hereditariedade estimada entre 50% a 60%. O sistema de recompensa, nomeadamente os sistemas dopaminérgico, serotoninérgico e noradrenérgico têm sido implicados na etiopatogenia das toxicodependências. Contudo, o papel dos polimorfismos VNTR 40 pb no gene SLC6A3, 5-HTTLPR no gene SLC6A4 e o polimorfismo G1287A no gene SLC6A2, na etiologia das toxicodependências permanece por esclarecer, particularmente na população portuguesa. Assim, face à grande heterogeneidade clínica e genética que caracteriza as toxicodependências pretende-se investigar uma eventual associação entre os genes mencionados e as toxicodependências na população portuguesa, numa amostra de doentes alcoólicos do sexo masculino com e sem historial de drogas lícitas ou ilícitas. Em relação ao polimorfismo VNTR de 40 pb do gene SLC6A3, os resultados obtidos revelaram associação quer para o alcoolismo (Χ2 = 11,308; df= 3; p= 0,013) quer para a dependência de drogas ilícitas (Χ2= 7,456; df= 2; p= 0,024). Por outro lado não foi detetada associação entre o gene SLC6A3 e a dependência tabágica. No seu conjunto, os resultados obtidos parecem sugerir que o gene SLC6A3 desempenha um papel importante na etiologia do alcoolismo e das dependências de drogas ilícitas. Com o intuito de identificar genes de susceptibilidade, investigou-se também o polimorfismo 5-HTTLPR do gene SLC6A4 na etiologia das dependências a drogas ilícitas e licitas, e os resultados obtidos não revelaram associação quer para o alcoolismo quer para a dependência a drogas ilícitas. Contudo, uma associação entre o polimorfismo 5-HTTLPR do gene SLC6A4 e a dependência tabágica foi obtida (Χ2= 7,390; df =2; p= 0,025), sugerindo que o polimorfismo 5-HTTLPR poderá eventualmente ser um fator de risco para a dependência tabágica na população portuguesa. Em relação ao gene SLC6A2, a análise estatística revelou diferenças estatisticamente significativas entre a amostra de doentes alcoólicos versus a amostra de controlos para a distribuição genotípica (Χ2= 15,609; df= 2; p= 0,000); entre a amostra de doentes alcoólicos com e sem historial de tabagismo, para a distribuição genotípica (Χ2= 40,094; df= 2; p= 0,000) e para a distribuição alélica (Χ2= 10,575; df= 1; p= 0,001). Resultados negativos, quer para o genótipo, quer para o alelo foram obtidos para a análise referente a dependência de drogas ilícitas. Os resultados obtidos permitem inferir que o polimorfismo G1287A desempenha um papel minor na etiologia quer do alcoolismo quer da dependência tabágica na população portuguesa. A investigação desenvolvida permitiu identificar fatores de susceptibilidade genética para a etiologia das toxicodependências, contributo este que poderá ter repercussões quer ao nível da prevenção e identificação de indivíduos em risco, permitindo desta forma a diminuição de vítimas de toxicodependência.
Dissertação de mestrado em Bioquímica, apresentada ao Departamento Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
SLC6A2, Sistema de Recompensa, Toxicodependência, Genes SLC6A3, Genética, Drogas lícitas e ilícitas, SLC6A4
SLC6A2, Sistema de Recompensa, Toxicodependência, Genes SLC6A3, Genética, Drogas lícitas e ilícitas, SLC6A4
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