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Como construir outro país, outra educação, outra universidade, se os mestres e doutores que formamos cursam inúmeras disciplinas que desperdiçam suas curiosidades e interesses? A educação universitária ainda é, muitas vezes, medieval. Tanto nos métodos quanto nas relações interpessoais. Os métodos educacionais utilizados em diversas disciplinas de Mestrado e Doutorado são baseados majoritariamente na ‘transmissão’ de conhecimentos e no tratamento de estudantes como ignorantes: uma educação bancária, como já alertava Paulo Freire. Este livro é fruto de uma aventura coletiva que teve início em uma disciplina de Pós-Graduação chamada Escuta, curiosidade e amor, lecionada a partir da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2022, aberta a estudantes de todo o Brasil, de maneira totalmente remota e baseada em métodos ativos de aprendizagem. A junção do modo remoto e síncrono com o fato de a disciplina ser baseada em métodos ativos, aberta para alunos de Mestrados e Doutorados do Brasil inteiro e atuantes em áreas do conhecimento muito distintas, potencializou trocas, encontros, pontes... Expandiu a universidade pública para além de seus muros! A utilização de métodos ativos buscou colocar o interesse e a dedicação dos estudantes no centro do processo educacional e fez com que a disciplina, desde seu início, fosse “mão na massa”. Cada estudante teve de produzir diversas atividades ao longo do semestre e, desde o primeiro encontro, começou a construir um trabalho final individual de tema livre, articulando ensino e pesquisa, e ligado aos seus interesses e curiosidades. Como a forma do trabalho final era livre, houve vídeos, performances, poemas, cartas, slides, minidocumentários, bem como textos acadêmicos ‘tradicionais’. Após o fim da disciplina, algumas pessoas demonstraram interesse em utilizarem seus trabalhos como matéria-prima para a construção de textos para serem compartilhados no formato de um livro. Um livro-ferramenta que, agora, se abre ao diálogo com o mundo. Os métodos educacionais nunca foram, não são e nunca serão, sozinhos, a solução mágica para todos os problemas da educação. Entretanto, quando são combinados métodos ativos, ensino remoto síncrono, ao vivo, com atividades baseadas nos interesses e desejos dos estudantes, a formação em mestrados e doutorados, pode, com algum otimismo, estimular os sonhos dos próprios estudantes e contribuir com outra educação e outra sociedade. Isso dá muito mais trabalho para todos, mas traz sentido, energia, compromisso social e, principalmente, alegria. Muitas vezes nos sentimos sozinhos. Nem sempre temos apoio institucional ou dos próprios colegas. Mas não estamos sozinhos. Precisamos nos conhecer, nos ouvir, nos ler, trocar experiências e construir mudanças em nossos cotidianos. Por menores que sejam, na direção dos mundos que façam nossos olhos brilhar e que nos encham de alegria e tesão. Os textos que compõem este livro são prova viva de que isso é possível.
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Pós-Graduação, Ensino Remoto, Métodos ativos, Educação superior, Universidade
Pós-Graduação, Ensino Remoto, Métodos ativos, Educação superior, Universidade
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