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Alice No País das Maravilhas é uma obra imortal na literatura infantil e, tendo mais de um século não é de se espantar que seu sentido tenha se transformado, mas é especialmente interessante perceber que sua principal característica em sua época é secundária hoje: o nonsense. A aventura histórica – história de personagens que em suas peripécias afetam tempo histórico – é o cerne da última adaptação cinematográfica, ao contrário do absurdo, que permeava a primeira. A partir do caráter utópico, e portanto distópico, de toda obra, entendemos que sua leitura é muito influenciada por necessidades sociais de compensação (utopia) ou denúncia (distopia). Apesar dos perigos e das dificuldades que Alice passa, a obra tem um caráter utópico, em que o País das Maravilhas é um contraponto aos aspectos negativos de nosso mundo. Defendemos que o sucesso de Alice, da publicação até o filme de 1951 se deve em grande parte por seu caráter utópico, retratando uma sociedade regida pelo absurdo e pela fantasia, que se contrapõe às regras rígidas que a sociedade seguia. Essa ênfase no absurdo sustenta a apropriação da personagem pelo movimento psicodélico nos anos 60, quando a jornada de Alice assume caráter exemplar e simbólico para a contestação da sociedade a partir da experiência de estados alterados de consciência. Nesta época, a narrativa de Alice adquire caráter mítico para este movimento, explicando metaforicamente nosso mundo e justificando e guiando ações. Eventualmente, as profundas transformações sociais provocadas por este e outros movimentos reduziram as regras de etiqueta, fazendo com que a obra perdesse sua capacidade utópica. Essa perda justifica que o filme de 2010 abandone o foco no absurdo e se concentre na disputa política da libertação do País das Maravilhas da tirania da Rainha Vermelha. Essa leitura se encaixa dentro da teoria kunderiana que a aceleração do tempo histórico tem afetado a relação entre personagens e história no romance. Antes, a história era pano de fundo para a aventura dos personagens, enquanto hoje a própria história de confunde com a aventura destes. A ascensão da aventura histórica nos mostra uma visão utópica em que o indivíduo tem poder sobre sua própria realidade, é capaz de transformá-la, apontando que a sociedade que se reflete no espelho de Alice não é mais a engessada por regras excessivas e arbitrárias, mas uma em que os indivíduos se sentem impotentes.
Trabalho apresentado no 7º EPHIS, Encontro de Pesquisa em História da UFMG e submetido para publicação. Os anais do evento estão no prelo com previsão de publicação em julho de 2019. Esta versão será atualizada quando a publicação oficial ocorrer
história da literatura, cultura pop, hist��ria da literatura, Alice no Pa��s das Maravilhas, Alice no País das Maravilhas, mitos modernos
história da literatura, cultura pop, hist��ria da literatura, Alice no Pa��s das Maravilhas, Alice no País das Maravilhas, mitos modernos
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