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CONTABILIDADE COMPORTAMENTAL: COMO VIESES COGNITIVOS AFETAM AS ESTIMATIVAS E OS JULGAMENTOS GERENCIAIS

Authors: DA SILVA, Ana Paula Felismino;

CONTABILIDADE COMPORTAMENTAL: COMO VIESES COGNITIVOS AFETAM AS ESTIMATIVAS E OS JULGAMENTOS GERENCIAIS

Abstract

A presença de vieses, contudo, não deve ser confundida automaticamente com fraude, incompetência ou manipulação deliberada. Damasceno e Mendonça Neto (2022) observam que os usuários da contabilidade podem decidir sob influências que não reconhecem conscientemente, o que torna insuficiente atribuir os desvios apenas à ausência de conhecimento técnico. As pressões organizacionais ampliam esse problema quando metas rígidas, remunerações variáveis, disputas internas e relações de poder direcionam a atenção para resultados convenientes. Kummer et al. (2025) situam as finanças comportamentais no interior da tomada de decisão organizacional, enquanto Silva et al. (2023), ao estudarem o empreendedorismo feminino, evidenciam que escolhas econômicas são moldadas também por experiências, condições sociais e características do ambiente em que a decisão ocorre. O excesso de confiança merece atenção particular porque pode ultrapassar a estimativa isolada e afetar a própria orientação estratégica. Simões et al. (2022) examinam seus efeitos sobre empresas brasileiras de capital aberto, e Sousa et al. (2025) relacionam projeções gerenciais confiantes, divulgação de guidance e valor de mercado, mostrando que expectativas excessivamente seguras podem repercutir tanto internamente quanto na avaliação externa da organização. Franchini et al. (2025), ainda que trabalhem com escolhas no varejo alimentar, confirmam a amplitude desses mecanismos ao demonstrarem que decisões aparentemente ordinárias também se afastam da racionalidade prevista pelos modelos convencionais. A crítica de Amaral, Santos e Oliveira (2023) às construções naturalizadas em torno da controladoria e do resultado econômico acrescenta que os instrumentos gerenciais não são neutros, pois incorporam pressupostos sobre desempenho, autoridade e racionalidade. Diante desse quadro, o problema que orienta este capítulo consiste em compreender de que maneira os vieses cognitivos influenciam as estimativas contábeis e os julgamentos gerenciais e quais mecanismos organizacionais podem reduzir seus efeitos sobre a qualidade informacional e decisória. O objetivo geral é analisar essas interferências, considerando suas repercussões na avaliação de riscos, na mensuração contábil e na alocação de recursos. Especificamente, pretende-se conceituar a contabilidade comportamental, identificar os vieses mais recorrentes, examinar sua manifestação em orçamentos, provisões, avaliações de ativos e investimentos, discutir a influência dos incentivos e da cultura organizacional e sistematizar procedimentos de governança, controle e revisão. A investigação assume abordagem qualitativa, exploratório-descritiva e bibliográfica, organizada por categorias temáticas extraídas de estudos sobre psicologia cognitiva, teoria da decisão, controladoria, contabilidade gerencial e governança. Sua pertinência decorre da necessidade de tratar a qualidade contábil como resultado não apenas da correção normativa, mas também da transparência das premissas, da possibilidade de contestação e da existência de procedimentos capazes de tornar os julgamentos mais verificáveis e menos vulneráveis a influências não reconhecidas.

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