
O presente volume nasce de uma convicção partilhada: a de que o cuidado constitui uma das categorias filosóficas mais urgentes e, simultaneamente, mais subteorizadas do pensamento contemporâneo. Urgente, porque as crises que atravessam o nosso tempo - ecológica, migratória, democrática, sanitária - revelam, com uma clareza que se vai tornando intolerável, a fragilidade das arquitecturas conceptuais construídas sobre o primado da autonomia, da soberania e do controlo. Subteorizada, porque, apesar da fertilidade das últimas décadas - desde a «voz diferente» de Carol Gilligan até ao Care Turn que marca as ciências sociais e humanas do século XXI - o cuidado permanece frequentemente aprisionado em domínios disciplinares estanques ou reduzido a uma ética do privado, incapaz de irradiar para a totalidade da vida pública e política.
