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CIDADE VERDE PARA QUEM? URBANIZAÇÃO, IDEOLOGIA E DESIGUALDADES SOCIOAMBIENTAIS, SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL EM MARINGÁ-PR – CAMINHOS PARA PROMOÇÃO DE UMA EDUCAÇÃO CRÍTICA

Authors: Andréia Santos Correia Almeida da Silva; Felipe Fontana;

CIDADE VERDE PARA QUEM? URBANIZAÇÃO, IDEOLOGIA E DESIGUALDADES SOCIOAMBIENTAIS, SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL EM MARINGÁ-PR – CAMINHOS PARA PROMOÇÃO DE UMA EDUCAÇÃO CRÍTICA

Abstract

A cidade contemporânea, sob a lógica da acumulação capitalista, transforma-se em mercadoria e ativo simbólico, sendo produzida tanto material quanto discursivamente por interesses econômicos, políticos e imobiliários. Diante disso, este artigo analisa a construção ideológica da imagem de Maringá/PR como “Cidade Verde”, problematizando as relações entre urbanização neoliberal, city marketing, sustentabilidade discursiva e segregação socioespacial. Parte-se do entendimento de que a representação de Maringá/PR como cidade-modelo, sustentável e planejada opera como mecanismo de valorização territorial e legitimação de um projeto urbano seletivo desvinculado da democratização efetiva do acesso aos bens urbanos e ambientais. O estudo deriva da dissertação Maringá–PR e o seu discurso de “Cidade Verde”: desconstruindo propagandas em prol de uma prática mais sustentável mediada pelo ensino das ciências ambientais (Silva, 2026), desenvolvida no âmbito do PROFCIAMB/UEM. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico, documental e analítico-crítico, fundamentada em referenciais da sociologia urbana, geografia crítica, ciências ambientais e pedagogia crítica. A investigação mobiliza autores como Henri Lefebvre, David Harvey, Carlos Vainer, Ermínia Maricato, Milton Santos e Enrique Leff para compreender a produção capitalista do espaço urbano, os discursos da sustentabilidade e os mecanismos de produção das desigualdades socioambientais. A análise evidencia que o discurso da “Cidade Verde” tende a obscurecer contradições estruturais relacionadas à especulação imobiliária, à valorização seletiva do território, à financeirização urbana e à exclusão das populações periféricas. Ademais, demonstra-se que a sustentabilidade urbana, quando apropriada pelo empreendedorismo urbano e pelo marketing territorial, assume caráter estetizado, tecnocrático e mercadológico. O artigo também discute o papel da educação crítica, da alfabetização urbanística e das ciências ambientais na formação de sujeitos capazes de interpretar criticamente as dinâmicas urbanas e reivindicar o direito à cidade. Conclui-se que a construção de cidades socialmente justas e ambientalmente sustentáveis exige superar abordagens naturalizantes e mercadológicas da sustentabilidade, articulando justiça socioambiental, democratização do território, participação popular e educação emancipatória.

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