
As mudanças no regime climático global têm ampliado a frequência e a severidade dos desastres, especialmente em países em desenvolvimento marcados por vulnerabilidades socioeconômicas, déficit habitacional e infraestrutura insuficiente. Nessas regiões, cresce a demanda por soluções construtivas rápidas, adaptáveis e ambientalmente responsáveis. Nesse contexto, o bambu destaca-se como fonte renovável disponível, de baixo impacto ambiental e com propriedades adequadas para sistemas construtivos leves e eficientes. Este artigo examina empiricamente o potencial do bambu como material construtivo para habitações transitórias pós-desastre climático, com ênfase no contexto brasileiro. Argumenta-se que a tipologia proposta ocupa um lugar intermediário entre a habitação emergencial e a permanente, tendo como principal diferencial a possibilidade de montagem rápida, vida útil de médio prazo e potencial de adaptação ou conversão futura em moradia permanente, ampliando sua durabilidade e seus benefícios socioambientais. O estudo apresenta o desenvolvimento arquitetônico e a construção de um protótipo de 36 m² em bambu, fundamentado em revisão bibliográfica sobre sistemas construtivos em bambu e tipologias transitórias. O projeto foi elaborado com base nos princípios de modularidade e desmontabilidade (Design for Disassembly – DfD), incorpora soluções bioclimáticas de baixo custo e respeita as especificidades do material bambu. A validação ocorreu por meio de uma atividade prática em formato de curso, com participantes sem conhecimento técnico prévio, permitindo registrar tempos de montagem, sequências operacionais, interfaces entre componentes e ajustes necessários. Os resultados evidenciam a viabilidade do bambu como alternativa construtiva sustentável, replicável e alinhada à bioeconomia circular em contextos de resposta pós-desastre, bem como seu potencial para aplicações habitacionais transitórias de duração intermediária.
