
A interface reforço têxtil-matriz é determinante para o desempenho de Compósitos Cimentícios Reforçados com Têxteis (TRC). O ensaio de arrancamento, ou pull out, é utilizado para avaliar a força necessária para arrancar uma fibra de um substrato ou matriz. Nesse sentido, este trabalho investiga a interação mecânica entre uma matriz cimentícia e dois tipos de reforço têxtil: fibra de juta, uma alternativa lignocelulósica e sustentável, e a tradicional fibra de vidro (AR-Glass). O objetivo é caracterizar a relação tensão-deslizamento, a energia de fratura interfacial e identificar os modos de falha predominantes, comparar os mecanismos de interação mecânica (aderência) entre o reforço e a matriz cimentícia e quantificar o desempenho interfacial de ambos os sistemas. O estudo abrange o comportamento do reforço tanto na forma de fios individuais quanto em tecidos com trama definida. A metodologia experimental consistiu inicialmente na realização dos ensaios de caracterização mecânica dos fios e tecidos, com a determinação da resistência à tração direta, e, posteriormente, na realização de ensaios de arrancamento direto. As curvas de força versus deslocamento, obtidas experimentalmente para cada sistema reforço-matriz, se caracterizaram por uma fase inicial ascendente, seguida por uma fase descendente e, posteriormente, por uma fase de decréscimo lento. A partir delas foram obtidos parâmetros como a tensão máxima de aderência, o deslizamento correspondente e a tensão de atrito residual. Os principais resultados indicam: a interface com fibra de vidro demonstrou uma aderência mais rígida, com maior tensão de pico e uma queda abrupta pós-pico, caracterizando uma ligação forte, porém frágil. Em contrapartida, a interface com fibra de juta apresentou menor resistência de pico, mas uma capacidade superior de dissipar energia por atrito, evidenciada pela existência de uma tensão residual. A análise dos modos de falha, confirmou que a falha no sistema com vidro ocorreu predominantemente na interface, enquanto no sistema com juta, a ruptura dos fios foi frequentemente observada, indicando uma aderência mais eficiente. Assim, a natureza da fibra dita o mecanismo de transferência de carga, e a caracterização do comportamento de aderência é essencial para o desenvolvimento de TRCs que apresentem um balanço otimizado entre desempenho mecânico e sustentabilidade.
