
A produção de cimento Portland (CP) é responsável por uma parcela significativa das emissões globais de CO₂, o que tem incentivado a busca por alternativas mais sustentáveis no setor da construção civil. Nesse contexto, os materiais ativados alcalinamente (MAAs) surgem como solução promissora, pois utilizam resíduos industriais e podem reduzir em até 80% as emissões associadas à produção de ligantes cimentícios. Além do menor impacto ambiental, esses materiais apresentam desempenho mecânico e de durabilidade comparável ou superior ao CP, destacando-se pela elevada resistência à penetração de cloretos — aspecto crucial para estruturas em ambientes marinhos ou sujeitos a agentes agressivos. Este estudo investiga o potencial de corrosão do concreto ativado alcalinamente (CAA) produzido com materiais disponíveis regionalmente, incluindo pó de vidro moído como precursor. Foram moldados corpos de prova reforçados com barras de aço CA-60 e avaliados por meio de técnicas eletroquímicas, com ênfase no método do Potencial de Meia-Célula, sob condições controladas de exposição a solução salina. A metodologia envolveu processos de limpeza das armaduras, moldagem dos compósitos, cura prolongada e aplicação de ciclos de envelhecimento. Os resultados iniciais indicaram potenciais de corrosão negativos, alinhados com a tendência observada na literatura para CAAs, embora tais valores não representem necessariamente corrosão ativa, dada a distinta química dos poros desse material. O estudo contribui para ampliar o conhecimento sobre a durabilidade de CAAs produzidos com recursos locais e reforça seu potencial como alternativa ambientalmente responsável ao concreto convencional.
