
Impulsionada pelas metas globais de neutralidade de carbono, a expansão da energia eólica em escala mundial tende a intensificar significativamente a demanda por materiais estruturais, como concreto e aço, bem como por minerais e materiais poliméricos. Essa demanda decorre não apenas da construção de novas instalações, mas também das necessidades de manutenção, modernização e repotenciação de parques eólicos existentes. No entanto, tal expansão exerce pressão crescente sobre a cadeia de suprimentos e reforça a necessidade do desenvolvimento de políticas que assegurem o fornecimento sustentável desses materiais, incorporando práticas efetivas de reciclagem e reaproveitamento. Paralelamente, o fim da vida útil e o descomissionamento de turbinas eólicas resultam no descarte de grandes volumes de pás, cujo gerenciamento adequado tem se configurado como uma questão crítica. Nesse contexto, uma abordagem promissora para o reaproveitamento desses resíduos consiste na sua incorporação em composições cimentícias destinadas à construção civil, após a submissão do material a processos de trituração. Além do potencial de redução do consumo de agregados naturais, essa estratégia possibilita a valorização de resíduos compostos predominantemente por fibra de vidro reforçada por matriz polimérica, cuja fração corresponde a aproximadamente 80% em massa do resíduo, contribuindo para a melhoria do desempenho mecânico à flexão do concreto. Contudo, evidências experimentais indicam que apenas combinações adequadamente balanceadas entre as proporções dos materiais utilizados permitem a obtenção de um comportamento mecânico global satisfatório, o que evidencia a necessidade de controle rigoroso das proporções adotadas. Além disso, verificou-se que a substituição possibilita o desenvolvimento de misturas de concreto com resistências à compressão na faixa de 30 a 40 MPa e resistência à flexão da ordem de 5 MPa, valores compatíveis com as aplicações convencionais.
