
A indústria da construção civil enfrenta atualmente o desafio urgente de mitigar seu impacto ambiental, sendo responsável pela geração estimada de 44 milhões de toneladas de Resíduos da Construção Civil (RCC) no Brasil somente em 2023. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à necessidade de fomentar a economia circular, este trabalho busca mostrar a viabilidade técnica e ambiental da produção de matrizes cimentícias com incorporação de RCC beneficiado por usina de reciclagem, propondo a substituição do agregado miúdo natural (areia média lavada) por resíduo reciclado, cujo processo de redução granulométrica ocorreu por meio de britador do tipo mandíbula. O estudo realizou uma análise comparativa entre os materiais, avaliando características físicas fundamentais para o seu desempenho, como granulometria, densidade, morfologia e composição. Os resultados obtidos indicaram que o RCC beneficiado apresenta uma curva granulométrica compatível com a areia natural, ambos exibindo um diâmetro máximo de 2,36 mm, o que favorece a substituição física na matriz. Entretanto, observou-se uma divergência expressiva na densidade, sendo cerca de 20% mais leve que a areia natural, devido à porosidade da argamassa antiga aderida aos grãos reciclados. A morfologia das partículas de RCC é heterogênea, com potencial para boa adesão em materiais cimentícios, contudo, a natureza porosa do RCC exige adaptações técnicas nos traços, especificamente ajustes na relação água/cimento para assegurar a trabalhabilidade, apresentando alto potencial para a fabricação de elementos não estruturais. A utilização do RCC permite a produção de produtos mais leves e economicamente competitivos, transformando um passivo ambiental em insumo produtivo e reduzindo a demanda por matérias-primas virgens.
