
O descarte de SFCC pelas unidades de refino de petróleo é estimado entre 200.000 e 840.000 toneladas por ano, sendo majoritariamente destinado a aterros sanitários. Uma alternativa promissora para o manejo ambientalmente adequado desse resíduo é o coprocessamento como matéria-prima na produção de clínquer Portland. No entanto, ainda há uma compreensão limitada acerca de sua aplicação em cimento Portland classe G, o qual é caracterizado por maiores teores de C4AF e C2S. Além disso, embora o mecanismo de hidratação da fase ferrítica seja amplamente discutido, a sua interação com elementos minoritários provenientes do SFCC ainda permanece inexplorada na literatura. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo investigar a influência do SFCC na hidratação do cimento classe G, por meio de modelagem termodinâmica baseada na minimização da energia livre de Gibbs, utilizando o software GEM-Selektor (GEMS), associada a análises experimentais de calorimetria isotérmica, a 20°C por 72 horas. A modelagem termodinâmica considerou períodos de hidratação de até 100 dias. Os dados obtidos da calorimetria mostraram que a presença de SFCC intensificou a dissolução inicial, antecipou e intensificou o pico de hidratação do C₃S e do aluminato, após a depleção de sulfato. O aumento observado de AFt, AFm e hidrogarnet aos 100 dias, previsto pela simulação no GEMS, explica a amplificação do segundo pico de C₃A e o incremento no calor acumulado. Esses efeitos confirmam que o SFCC aumenta a disponibilidade de aluminatos reativos e contribui para maior grau de hidratação, sem comprometer a formação de C-S-H. Dessa forma, os resultados de calorimetria corroboram de forma consistente as previsões da modelagem termodinâmica. Portanto, conclui-se que o coprocessamento do SFCC é viável e benéfico para a hidratação do cimento classe G. Além disso, a modelagem demonstrou a aplicabilidade da técnica para a otimização de programas experimentais e estudos de novos cimentos.
