
Considerando a atual conjuntura da finitude de recursos naturais utilizados para o setor da construção civil, existe a necessidade intrínseca do desenvolvimento de materiais que possam atender demandas específicas do mercado da construção civil, proporcionando desempenho semelhante ou superior aos materiais convencionais, assim como promover destinação adequada para os resíduos gerados pelas atividades industriais. Desta forma, o aproveitamento de resíduos de indústrias, como o pó de aciaria elétrica – PAE, derivada da indústria siderúrgica, assim como o uso de sobras da produção de itens derivados de produtos florestais não madeireiros, tais como aparas de piaçava, se tornam potenciais alternativas na forma de co-insumos para produção de itens de alto valor agregado, como revestimentos de parede em áreas internas e externas. Este trabalho analisou a viabilidade técnico-econômica do uso conjunto do PAE e da apara de piaçava como reforço em matriz polimérica de resina epoxídica e submetidos à caracterização térmica, mecânica, assim como foi realizado o Estudo de Viabilidade Técnico-Econômico-Ambiental – EVTEA. Os resultados obtidos indicam excelente interface entre os co-insumos e a resina, proporcionando boa molhabilidade e moldabilidade do compósito em volumes de geometria complexa, com tamanho de grão inferior a 200 MESH para distribuição isotrópica de tensões, apresentando boa resistência a flamabilidade em razão da adição de PAE, assim como uma densidade volumétrica inferior ao mármore e ao granito, otimizando os custos logísticos mediante a não obrigatoriedade de instalação em locais distantes do centro consumidor. Destaca-se o direcionamento estimado de 2700 kg de PAE para co-produção em substituição ao descarte, mediante a produção prevista de 25000 placas mensais com área unitária de 0,42 m², tornando o material e o processo produtivo viáveis nos aspectos técnico, econômico e ambiental.
