
A argamassa de hidratação controlada (AHC), também denominada argamassa estabilizada, é capaz de manter sua trabalhabilidade por longos períodos, geralmente até 72 horas, devido ao uso de aditivos que controlam a hidratação do cimento. Entre eles, o aditivo incorporador de ar (AIA) é amplamente empregado para melhorar a trabalhabilidade e a estabilidade da mistura, promovendo a formação de microbolhas que reduzem a densidade e aumentam a plasticidade. Entretanto, o uso excessivo desse aditivo pode elevar o teor de ar acima dos limites normativos, comprometendo a coesão e o desempenho do material. A retirada do AIA das argamassas de hidratação controlada apresenta vantagens ambientais e econômicas, uma vez que reduz a poluição e o elevado consumo energético associados à sua produção, além de eliminar o custo de aquisição do aditivo. Nesse contexto, o uso de materiais alternativos de menor impacto ambiental, como polímeros reciclados, surge como uma alternativa viável para atender às exigências normativas no estado fresco. Este estudo teve como objetivo avaliar o comportamento no estado fresco de argamassas de hidratação controlada com substituição fixa de 20% em massa do cimento Portland por metacaulim e substituição do agregado miúdo por resíduo de borracha vulcanizada (RBV) da indústria calçadista, em teores de 10% a 40% em volume. As misturas foram formuladas com e sem aditivo incorporador de ar e avaliadas nos tempos de 0 h, 48 h e 72 h, por meio dos ensaios de índice de consistência, densidade da massa fresca, teor de ar incorporado e análise visual de estabilidade. Os resultados indicaram que a combinação entre RBV e AIA promoveu incorporação excessiva de ar e instabilidade da mistura, especialmente em maiores teores de resíduo. Em contrapartida, as argamassas formuladas sem aditivo apresentaram maior estabilidade, redução controlada da densidade, manutenção da trabalhabilidade e teores de ar compatíveis com o limite normativo de 22%, conforme a NBR 13281-2 (2023) , para misturas com até 30% de substituição da areia por RBV. Esses resultados evidenciam o potencial do resíduo polimérico como substituto do AIA, contribuindo para o equilíbrio entre trabalhabilidade, densidade e teor de ar, além de reduzir o consumo de agregados naturais.
