
A busca por materiais construtivos com menor impacto ambiental tem impulsionado o uso de fibras vegetais como alternativa às fibras sintéticas em compósitos cimentícios. Este estudo avaliou comparativamente os impactos ambientais da produção de chapas cimentícias reforçadas com fibra longa vegetal de sisal (CFS) e reforçadas com fibra longa sintética de polipropileno (CFP), utilizando a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida sob a abordagem "do berço ao portão". A modelagem foi realizada no software SimaPro 9.6.0.1, empregando dados da literatura, dados dos bancos Ecoinvent 3.9 e Agri-footprint 6.3, e considerando o método ReCiPe 2016 H (endpoint) para quantificação dos impactos. Os resultados mostram que a CFS apresenta menor impacto em categorias relacionadas a mudanças climáticas, uso de recursos fósseis e minerais, formação de material particulado, eutrofização e acidificação, beneficiando-se da substituição parcial do cimento por metacaulim e cinzas volante, e do uso de fibras renováveis. Em contrapartida, maiores impactos foram observados para a CFS nas categorias de uso do solo, consumo de água e radiação ionizante, associados ao cultivo e beneficiamento do sisal. A análise global indica vantagem ambiental moderada da CFS (73%) em relação à CFP (95%), evidenciando a existência de trade-offs entre as alternativas. Conclui-se que o uso de fibras vegetais, associado a substituição parcial do cimento por pozolanas, representa uma estratégia promissora para reduzir impactos ambientais na produção de chapas cimentícias, embora análises e investigações sobre cenários de fim de vida sejam recomendadas para ampliar a robustez dos resultados.
