
Este artigo analisa a pegada de carbono associada à construção de paredes em habitações de interesse social (HIS) com a utilização da técnica de impressão 3D em concreto (3DCP), utilizando a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). O estudo compara quatro modelos de impressoras (A, B, C e D) e duas tipologias de paredes (maciças e vazadas), considerando desde a produção dos materiais até o processo construtivo. Os resultados indicam que o desempenho ambiental varia conforme a combinação entre equipamento e geometria da parede. Para paredes maciças, a impressora B apresentou o menor impacto, com 49,9 kg de CO₂-eq/m², enquanto, para paredes vazadas, a impressora C foi mais eficiente, com 77,3 kg de CO₂-eq/m². Apesar de, em média, a impressão 3D apresentar emissões próximas ou ligeiramente superiores a sistemas construtivos convencionais, os intervalos de confiança mostram equivalência estatística na maioria dos cenários. A análise de sensibilidade, realizada por simulação de Monte Carlo, regressão log-log e método de Sobol, revelou que as variáveis geométricas são determinantes para o impacto ambiental. A espessura da parede domina as emissões no caso das paredes maciças, enquanto a largura do cordão de impressão é o principal fator nas paredes vazadas. Variáveis operacionais, como altura de camada e velocidade de impressão, apresentaram influência secundária ou até efeito redutor nas emissões do processo de execução das paredes. Além disso, o transporte de materiais mostrou-se relevante, podendo aumentar significativamente a pegada de carbono, especialmente em longas distâncias, portanto conclui-se que a impressão 3D em concreto pode ser ambientalmente competitiva, desde que haja otimização do projeto, escolha adequada dos equipamentos e priorização de insumos locais.
