
A construção civil está sempre em busca de desenvolver novas tecnologias sustentáveis que enfrentem o desafio de reduzir a pegada de carbono. Nesse contexto, a adição de fibras naturais associada à impressão 3D de concreto (3DCP) para desenvolver um concreto de impacto ambiental reduzido tem apresentado resultados promissores. Em vista disso, o presente estudo tem como objetivo investigar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, o emprego de fibras de bambu, cânhamo e sisal no desenvolvimento de compósitos cimentícios para a tecnologia 3DCP. Para isso, foi utilizado uma revisão narrativa sistematizada acerca do uso de fibras naturais como reforço para concreto ambientalmente menos agressivo em impressão 3D de concreto. A busca contemplou bases científicas relevantes e trabalhos publicados na última década, com triagem por título/resumo e leitura crítica dos estudos selecionados, analisando o progresso, os desafios e as lacunas de conhecimento sobre o tema. Os resultados indicam que a incorporação dessas fibras promove melhoria nas propriedades reológicas, aumento da resistência à flexão e redução da fissuração, além de favorecer a extrudabilidade e a capacidade de construção das camadas impressas. No entanto, o uso de fibras naturais impõe limitações técnicas significativas: (i) a dificuldade de empregar elevados teores de fibra, devido ao risco de entupimento do sistema de bombeamento e do bocal de impressão; (ii) a elevada higroscopicidade das fibras, que altera as propriedades reológicas da mistura ao longo do tempo e reduz drasticamente a janela de impressão. O tratamento superficial das fibras, seja por mercerização ou por estratégias verdes como o uso de cinzas vegetais, mostra-se fundamental para melhorar a aderência fibra-matriz e mitigar esses efeitos. Conclui-se que as fibras de bambu, sisal e cânhamo apresentam grande potencial para o desenvolvimento de concretos ecoeficientes na manufatura aditiva, desde que novos estudos experimentais avancem no controle reológico em tempo real, na padronização das fibras e na validação da durabilidade em larga escala.
