
Introdução e objetivos: Com os avanços da cardiologia pediátrica, a maioria dos pacientes com cardiopatias congênitas (CC) alcança a idade adulta e necessita de acompanhamento contínuo em serviços especializados. Essa transferência estruturada do cuidado do cardiopediatra para uma equipe multiprofissional especializada em adultos é denominada transição do cuidado e, quando realizada de forma inadequada, pode resultar em perda de seguimento e piora clínica. Diante desse cenário, o estudo buscou analisar as estratégias e ferramentas fundamentais que facilitam essa transição, visando a continuidade da assistência e a segurança do paciente. Métodos: Foi realizada revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO e LILACS, utilizando os descritores “transition”, “congenital heart disease” e “adult care”. Foram incluídos artigos publicados nos últimos cinco anos, sem restrição de idioma, disponíveis na íntegra e relacionados ao tema. Resultados: A literatura demonstrou que o sucesso da transição depende de um processo precoce, dividido em fases (pré-transição, transição ativa e pós-transição), permitindo a integração gradual ao modelo assistencial e fomentando a autonomia para o autocuidado. A familiarização antecipada com o ambiente hospitalar e com os profissionais do cuidado adulto mostrou-se um fator determinante para reduzir a ansiedade e melhorar a adesão. Além disso, a abordagem multidisciplinar é indispensável, pois permite acolher não apenas as demandas clínicas da cardiopatia, mas também os aspectos emocionais e psicossociais inerentes a essa fase da vida. Programas de educação em saúde direcionados tanto aos pacientes quanto aos seus cuidadores são essenciais para ampliar o entendimento sobre a patologia e as consequências da interrupção do tratamento. Adicionalmente, o uso de tecnologias como aplicativos móveis e a telemedicina emergem como ferramentas facilitadoras para o agendamento de consultas e o acesso à informação, enquanto o contato entre pares favorece a identificação e o suporte mútuo. Conclusões: Embora não exista uma diretriz universal única, há convergência na literatura sobre a eficácia do início precoce, da educação em saúde e da atuação multidisciplinar. A implementação dessas medidas em protocolos baseados em evidências é crucial para garantir o seguimento clínico, prevenir complicações e promover o aumento da sobrevida e qualidade de vida dos adultos com CC. Palavras-chave: Cardiopatias congênitas; Transição para a assistência adulta; Autocuidado
