
O presente estudo teve como objetivo geral analisar a atuação da fisioterapia traumato-ortopédica na prevenção e no tratamento de lesões musculoesqueléticas em músicos. Metodologicamente, caracterizou-se como uma pesquisa qualitativa, do tipo revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas estruturadas em bases de dados nacionais e internacionais (LILACS, SciELO, PubMed, BVS, PEDro e Portal de Periódicos CAPES), utilizando descritores controlados e critérios rigorosos de inclusão de obras publicadas na última década. Os resultados evidenciaram uma prevalência alarmante de desordens musculoesqueléticas relacionadas à performance (PRMD), variando entre 62% e 93% na população estudada, acometendo precocemente graduandos e persistindo na carreira docente. As principais afecções identificadas incluíram tendinopatias, síndromes compressivas nervosas e dores miofasciais crônicas, desencadeadas por fatores de risco ergonômicos e biomecânicos específicos de cada família de instrumentos (como sopros, cordas altas e acordeão). Conclui-se que o sucesso da intervenção fisioterapêutica reside na superação do modelo puramente analgésico e passivo, sendo substituído por protocolos ativos de exercícios terapêuticos específicos (fortalecimento excêntrico e estabilização segmentar), terapia manual, reeducação postural e adequações ergonômicas customizadas. A integração dessas condutas cinesioterapêuticas a abordagens biopsicossociais e interdisciplinares, como a musicoterapia, mostrou-se eficaz para modular a dor crônica, restaurar o controle motor fino, evitar o afastamento laboral e promover o desempenho funcional, a longevidade profissional e a qualidade de vida dos músicos.
