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SAÚDE MENTAL COLETIVA E JUVENTUDES DESAFIOS PARA A CONSOLIDAÇÃO DE REDES DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL INTEGRADAS

Authors: SILVA, Fábio de França;

SAÚDE MENTAL COLETIVA E JUVENTUDES DESAFIOS PARA A CONSOLIDAÇÃO DE REDES DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL INTEGRADAS

Abstract

Diante desse percurso teórico, torna-se necessário formular a problematização que orienta este estudo em continuidade direta com a crítica à fragmentação, à medicalização e à insuficiência das respostas setoriais: De que maneira a fragmentação das políticas públicas e a persistência do modelo médico-centrado na atenção à saúde mental impedem a consolidação de redes de atenção psicossocial que sejam efetivamente integradas, intersetoriais e capazes de acolher as complexas demandas das juventudes contemporâneas? O objetivo geral deste trabalho consiste em analisar os desafios estruturais para a consolidação de redes de atenção psicossocial integradas que respondam às necessidades de saúde mental das juventudes, superando a lógica da fragmentação do cuidado. Tal formulação parte da compreensão de que a rede psicossocial não pode ser reduzida a um conjunto de equipamentos formalmente existentes nem a uma sequência de encaminhamentos entre saúde, educação e assistência social, pois sua efetividade depende da capacidade de produzir leitura compartilhada das demandas, circulação de saberes, corresponsabilização institucional e construção de respostas territorializadas. Os objetivos específicos deste estudo desdobram o objetivo geral em três movimentos analíticos articulados, sem separá-los de modo rígido, pois cada dimensão ilumina uma face do mesmo problema estrutural. O primeiro objetivo específico consiste em investigar como a desarticulação intersetorial entre saúde, educação e assistência social opera como barreira para a integralidade do cuidado na saúde mental juvenil, considerando que a ausência de práticas compartilhadas tende a produzir encaminhamentos sucessivos, leituras parciais e perda de continuidade no acompanhamento. O segundo objetivo específico consiste em desconstruir a tendência de patologização das vivências juvenis, evidenciando como a medicalização encobre determinantes sociais, econômicos e políticos da saúde mental, sobretudo quando sofrimento, conflito, evasão, uso de substâncias, apatia, agressividade ou instabilidade emocional são interpretados como desvios individuais antes de serem compreendidos em sua relação com precarização, vulnerabilidade familiar, território e desigualdade. O terceiro objetivo específico consiste em propor estratégias de reestruturação do cuidado psicossocial no território que priorizem a autonomia, o protagonismo juvenil e a construção de projetos de vida em detrimento da mera gestão do sofrimento, compreendendo que a atenção psicossocial integrada deve produzir condições concretas de participação, escuta, proteção social, permanência escolar, articulação comunitária e enfrentamento das formas institucionais que reduzem a juventude a objeto de controle, diagnóstico ou adaptação.

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