
Este artigo tem como objetivo analisar as representações sociais construídas sobre a identidade de mulheres trans negras entre estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em uma cidade no interior da Paraíba. Para isso, foi realizada uma intervenção em uma escola EJA localizada em Cajazeiras – PB, a partir da exibição do vídeo “Alessandra Ramos – Ser Mulher Trans e Negra”, do canal Criola (2016), seguida de um debate sobre as temáticas. Os resultados foram organizados em duas categorias: (1) mulheres transexuais negras e representações religiosas e (2) interseccionalidade: a mulher trans e negra. A experiência evidenciou a presença de discursos religiosos e normativas cisgêneras que permeiam as representações dos estudantes acerca da transexualidade e da negritude. Além disso, persistiram concepções cisheteronormativas e moralizantes que naturalizam exclusões sociais e revelam lacunas na compreensão sobre raça, diversidade sexual e gênero, que se expressou na maneira que os estudantes expressavam a visão da pessoa trans e da pessoa negra separadamente. Assim, o estudo amplia a compreensão sobre os sentidos que produzem exclusão e revela o papel da educação na contestação dessas narrativas.
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