
Esta pesquisa investiga a polissemia das palavras “princesa” e “herói” em narrativas de filmes da Disney, com o objetivo de compreender como esses termos refletem, organizam e perpetuam representações de gênero que influenciam a percepção infantil sobre identidade, poder e papéis sociais. Parte-se do pressuposto de que a linguagem, longe de ser neutra, atua como prática social que produz e naturaliza sentidos culturalmente situados. A fundamentação teórica apoia-se nas contribuições de bell hooks, no que se refere à crítica às estruturas de dominação sexista, e de Davis, a partir da perspectiva interseccional, articulando gênero, raça e classe na análise das representações culturais. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, estruturada em revisão teórica e análise lexical dos termos “princesa” e “herói”, com base em definições dos dicionários online Michaelis e Priberam. Os dados foram organizados em quadros analíticos, permitindo identificar a distribuição dos sentidos em diferentes esferas semânticas e sua expansão para usos figurados na linguagem cotidiana. Os resultados evidenciam uma assimetria significativa: “herói” associa-se predominantemente à ação, ao protagonismo e à valorização social, enquanto “princesa” se vincula a dimensões institucionais, estéticas e afetivas, frequentemente relacionadas à aparência, à posição social e à idealização. Conclui-se que a polissemia constitui um mecanismo ativo na construção de imaginários sociais de gênero, reforçando a necessidade de práticas de letramento feminista que promovam uma leitura crítica da linguagem e contribuam para uma educação linguística mais equitativa e socialmente consciente.
