
Este texto propõe uma leitura da equidade a partir da ética do cuidado e da filosofia da hospitalidade. Partindo da pergunta “quem é o Outro?”, percorre-se um trajecto filosófico que vai das tradições hebraica e grega até às filosofias da alteridade de Rosenzweig, Buber, Levinas e Derrida, para mostrar como os modelos dominantes de equidade — liberal, redistributivo e do reconhecimento — assentam num sujeito pré-constituído que deixa na invisibilidade quem não pertence a nenhuma categoria reconhecida. Em alternativa, defende-se uma equidade que parte do encontro concreto com o rosto do Outro, que toma a vulnerabilidade como condição universal e não como excepção, e que organiza as instituições para tornar possível a relação EU-TU. A cidade hospitaleira — no sentido derridiano — é apresentada como modelo político concreto: um espaço que acolhe antes de verificar, que cuida antes de categorizar, que responde à presença antes de qualquer lei. O texto conclui com a admiração — thaumazein — como disposição ética que sustenta uma equidade relacional, hospitaleira e cuidadora.
