
Este estudo analisa a descentralização da arquitetura moderna no Brasil, evidenciando sua progressiva expansão das metrópoles para o interior do país. Esse movimento foi crucialmente mediado por arquitetos e impulsionado pela atuação seletiva de agentes públicos e proprietários locais. O foco da pesquisa recai sobre o modernismo no interior do Rio Grande do Sul, investigado através da trajetória do Arquiteto Flávio Figueira Soares (1931–2011) e da análise da Residência Edyr Lima, projetada em 1958, em Cachoeira do Sul. A obra é utilizada como um caso relevante para compreender a reinterpretação e adaptação dos repertórios modernistas ao contexto urbano regional. Flávio Figueira Soares, graduado pela UFRGS, fez parte de uma geração fundamental para a difusão do modernismo na Região Sul. Sua atuação em cidades médias, como Cachoeira do Sul e Bagé, consolidou-o como um agente estruturante, promovendo a incorporação de elementos formais e técnicos modernos ajustados às condições regionais, como empenas cegas e ventilação cruzada. A Residência Edyr Lima, um comissionamento privado para a classe média alta, é um caso relevante que demonstra como os repertórios do modernismo brasileiro foram reinterpretados no contexto urbano interiorano. O projeto reflete uma apropriação consciente de princípios corbusianos e influências do modernismo carioca, modulados por fatores culturais e ambientais locais. Elementos como planos de sombra, venezianas e vedação cerâmica refletem um equilíbrio entre a expressão estética moderna e a eficiência climática, marcante na produção do Sul do Brasil. Embora seja uma obra privada, a residência configura-se como um marco simbólico local, expressando a adesão da elite cachoeirense aos ideais modernistas. Sua análise é relevante para o debate sobre a expansão da arquitetura moderna gaúcha, consolidada como linguagem oficial e instrumento de modernização do Estado, conforme apontado por Santos (2006). Adotando uma abordagem histórico-crítica, baseada na análise formal e reconstituição gráfica, o estudo insere a obra no campo da arquitetura moderna regionalizada, conforme defendido por Zein (2000). A pesquisa contribui ao evidenciar a apropriação da modernidade fora dos grandes centros por profissionais vinculados à estrutura institucional, preenchendo a lacuna historiográfica e destacando a importância de valorizar e preservar o patrimônio moderno regional, frequentemente invisibilizado.
16° Seminário Docomomo Brasil: anais: O Futuro do Passado: Arquitetura Moderna Viva e Urbana [livro eletrônico] / organização: Carlos Eduardo Comas, Sergio M. Marques, Claudia Piantá Costa Cabral, Marta Peixoto, Ana Carolina Pellegrini, Monica Luce Bohrer. 1. ed. Porto Alegre, RS: Docomomo Brasil, 2026. ISBN: 978-65-993024-6-6.
16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025, Flávio Figueira Soares, Modernismo Regionalizado, Arquitetura Moderna no Sul
16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025, Flávio Figueira Soares, Modernismo Regionalizado, Arquitetura Moderna no Sul
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