
O artigo propõe uma arquitetura conceitual de organização do fluxo informacional contábil orientada à redução estrutural da possibilidade de fraude por manipulação. Partindo da caracterização do balanço contábil como sistema informacional mediado, a análise identifica pontos recorrentes de vulnerabilidade associados à editabilidade, à concentração decisória no fechamento e à dependência de reconstruções posteriores dos acontecimentos econômicos. A proposta reorganiza o ciclo contábil a partir da captação próxima ao evento, da preservação do histórico por adição, da rastreabilidade e da cadeia de custódia, tratando o balanço como efeito necessário do encadeamento contínuo de registros vinculados a acontecimentos identificáveis. O modelo explicita funções estruturais do processamento informacional, define critérios invariantes de ingresso da informação e incorpora a verificação contínua como propriedade do sistema, com uso prudente de instrumentos probabilísticos, estatísticos e organizacionais para orientação e priorização da atenção verificadora. A arquitetura preserva o arcabouço normativo vigente e a centralidade do julgamento profissional, ao manter separação entre definição normativa e processamento operacional. Suas implicações situam-se na ampliação da fidedignidade representacional, da auditabilidade e da transparência operacional, em convergência com requisitos centrais da modernidade gerencial, tais como autonomia funcional, segurança estrutural, operação em tempo real ou quase real, escopo precisamente circunscrito, utilidade prática e confiabilidade verificável, reconhecendo limites institucionais e condições de aplicação.
