
O desenho é desde nossa tomada de consciência e experiência com o mundo uma das formas inteligíveis que nos permitiu traçar na história nossas raízes de permanência, sejam pela sua estruturação visual ou pela sua intrínseca capacidade norteadora de viabilizar discursos, percursos, pesquisas e construção de imagens. Fruto de um seminário com mesmo nome realizado em uma instituição cultural na cidade de São Paulo entre 27 a 30 de agosto de 2024, este livro nasce como meio de registrar os ricos e instigantes encontros que aconteceram durante o evento intitulado: Desenho e a escrita do tempo. Narrativas, cortes e suturas no contexto geopolítico. O seminário propôs discutir o desenho e suas narrativas a partir de seu diálogo com o tempo na escrita da imagem e da memória no contexto contemporâneo e suas urgências geopolíticas. Os encontros refletiram sobre as proposições de cortes, suturas, construção de pensamento visual. Apresentando como cerne o desenho, o seminário discutiu o hibridismo de linguagens e suas discussões contemporâneas face ao processo de criação de artistas que discutem suas vertentes sob um olhar transdisciplinar. Narrativas enviesadas, diálogos com outras áreas de pensamento e direcionamentos geopolíticos compuseram análises das territorialidades e intersecções no contexto artístico contemporâneo. Este livro, fruto substancialmente da transcrição de falas durante o seminário ou reflexões posteriores a ele, busca amplificar as discussões e os compartilhamentos que aconteceram para outros lugares e participantes, fomentando o diálogo e o debate de artistas, educadores, pesquisadores que utilizam, pensam, ensinam com e a partir do desenho em suas práticas artísticas e investigações teóricas. Sem vislumbrar ser um livro coeso, uniformemente editado e com uma linguagem definida e padronizada, o processo de construção deste livro foi de reunir as diferentes contribuições tal como sugere Tin Ingold, a partir de um emaranhado criativo (2012) compondo um todo a partir de diferentes partes. Cada parte aponta feitos, processos, trabalhos e pesquisas passadas, e aqui reunidas potencializam matérias e forças, propriedades variadas e variáveis para pensar e fazer o desenho na contemporaneidade. Assim, o recorte narrativo não coloca em questão normas cultas da língua como as de artigos acadêmicos. Nos interessa olhar para os textos como desenho de palavras, como fonte de pesquisas múltiplas, próxima a realidade e a experiência de cada artista/autor que o compõem, entendendo o desenho como linguagem, discurso, imagem. Esta escolha nada mais é que uma opção política com a qual afirmamos o prolongamento do gesto de desenhar na fala e no texto. Neste posicionamento não há revisões ou correções externas aos textos além daquelas feitas pelos autores, deixando evidente os rastros de processos vindos de diferentes percursos, corpos, vidas, e contribuições em cada participação, sendo algumas delas partida da opção por trazer um texto pronto, já outras em partir da transcrição daquilo que foi falado no seminário. É, então, uma escolha para reafirmar que nas artes contemporânea não há desenho certo, não há modo correto de desenhar ou mesmo definição precisa do que é ou pode ser desenho, mas, sim, há um campo aberto, ampliado, ricamente fértil e múltiplo do que pode ser entendido, pensado, ensinado como desenho. Desenhar é ato, pensamento, imagem, pesquisa. Desenhar é a forma de nos colocarmos no mundo e a ele pertencer.
arte, desenho, processo de criação
arte, desenho, processo de criação
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