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DO FATO AO ACONTECIMENTO Travessias Sociossemióticas

Authors: WESCHENFELDER, ALINE... [et al.].;

DO FATO AO ACONTECIMENTO Travessias Sociossemióticas

Abstract

Os 14 artigos reunidos na presente obra refletem o trabalho desenvolvido e apresentado pelos palestrantes e mediadores do Pentálogo XIII, cujo tema foi “Do fato ao acontecimento: Travessias sociossemióticas”. A partir dele, buscou-se contribuir com o desencadeamento de diálogos científicos sobre o avanço em torno do conceito de acontecimento, bem como abrir novas perspectivas relacionadas ao tema no campo da Comunicação e da Semiótica. A enchente que atingiu o Rio Grande do Sul (RS), no Brasil, em maio de 2024, foi o eixo principal das apresentações, gerando desdobramentos em subtemas. As reflexões acerca da epistemologia do acontecimento foram permeadas por questões relacionadas a: o fato e a narrativa; o trabalho interpretativo em torno do acontecimento; o acontecimento no âmbito da circulação midiática; a midiatização e seus efeitos em relação ao capitalismo, bem como a experiência social vinculada ao acontecimento; as transformações do acontecimento mediante a crescente era dos dados e o trabalho no campo jornalístico; o acontecimento no contexto internacional; e o acontecimento silenciado e contraditório enquanto estratégia midiática. Participaram da iniciativa pesquisadores do campo da Comunicação, da Semiótica e de áreas correlatas que desenvolvem estudos convergentes com o tema proposto pelo Pentálogo XIII. Registramos nosso agradecimento a cada autor e autora que se dispuseram a dialogar nas mesas propostas e também produzir o artigo para integrar essa obra. A seguir, destacamos os temas analisados pelos/as pesquisadores/as, conforme apresentados em seus artigos. Em Epistemologias do acontecimento, Pedro Gilberto Gomes analisa o acelerado desenvolvimento das redes digitais a partir da dimensão ética. Seu estudo permeia aspectos que vão desde a linguagem verbal, a escrita, o surgimento do tipo móvel representado pela imprensa até o fenômeno das fake news. Ele também observa a curiosidade como uma propulsora do conhecimento. Sergio Dayrell Porto, por sua vez, propõe uma análise sociossemiótica sobre a capa do livro O Jornal: da forma ao sentido, por ele organizado junto com Maurice Mouillaud. De acordo com Porto, um conjunto de elementos da capa da obra mostra a mistura entre fatos e acontecimentos, podendo gerar o mesmo significado. O artigo ainda se desdobra no exame de diferentes componentes presentes na coletânea, que vão do texto ao conteúdo imagético, da capa e contracapa aos artigos. O trabalho analítico se expande em contraposição e aproximações com acontecimentos de diferentes ordens. A transformação dos acontecimentos pelo viés da evolução técnico-social é analisada por Antônio Fausto Neto em Acontecimentos, entre induções e entrelaçamentos. O autor examina diferentes acontecimentos, bem como suas repercussões no âmbito da recepção, em diferentes contextos ao percorrer o fenômeno da passagem da sociedade dos meios à sociedade em midiatização. Em Acontecimento e midiatização, Ana Paula da Rosa revisita as propostas de autores como Louis Queré, Pierre Nora, Eliseo Verón, Edgar Morin e Vera França para pensar a emergência de um novo estatuto do acontecimento. Ele seria produzido a partir de lógicas de midiatização, implicando no engendramento dos atores sociais e de suas formas de agenciamento da circulação a partir de suas experiências midiatizadas. José Luiz Aidar Prado discorre a respeito do capitalismo comunicacional no âmbito da sociedade hiperconectada. Segundo o pesquisador, “o capitalismo comunicacional opera a partir da hiper e interconectividade em rede e da aceleração da circulação, aprofundando a concentração de riqueza”. Sua análise é realizada pela perspectiva damidiatização. O artigo de Viviane Borelli encerra a primeira seção, refletindo sobre as complexas processualidades da midiatização e da circulação que afetam e são afetadas por acontecimentos. Para tanto, observa o episódio que ficou conhecido como “patriota do caminhão”, do qual analisa fragmentos discursivos publicados em sites noticiosos e dadoscoletados por meio do Google Trends, buscando problematizar como se deu o processo de nomeação do episódio. Em Acontecimento e jornalismo, Paula de Souza Paes observa como os conteúdos desinformativos agem no que pode ser chamado de “acontecimento”. A autora trabalha sob o prisma das enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul, com o objetivo de fazer uma leitura desse acontecimento pelos desmentidos dos checadores da Lupa e do Aos Fatos. Na sequência, Demétrio de Azeredo Soster parte do princípio de que a processualidade da midiatização, ao interferir nas operações do sistema midiático-comunicacional, não apenas reconfigura seus dispositivos, como também provoca emergências de diferentes ordens. Interfere, assim, na produção de sentidos dos próprios dispositivos. Marco Antônio Tessarotto, por sua vez, analisa o fenômeno da circulação midiática com base em dois acontecimentos jornalísticos e de suas reverberações nas mídias digitais: as inundações no Rio Grande do Sul, em maio de 2024, e a estiagem prolongada no país, em agosto do mesmo ano. De acordo com o autor, as manifestações jornalísticas a respeito da estiagem foram realizadas sob um viés de banalização do fato, no caso, a seca. Fechando a seção, Celestino Joanguete traz uma análise sobre os efeitos da inteligência artificial (IA) no ecossistema midiático e jornalístico, com foco na emergência de novos perfis profissionais. O autor destaca o surgimento de um novo tipo de profissional, que integra habilidades tradicionais do Jornalismo com fluência tecnológica. Segundo ele, esse processo indica uma mudança estrutural na produção jornalística contemporânea. Em Acontecimento no contexto Latino-Americano, Gustavo Markier levanta a hipótese de que os eventos se tornam atos performativos a partir do momento em que o consumidor processa informações provenientes de múltiplas e fragmentadas fontes. De acordo com o pesquisador, isso ocorre segundo os discursos gerados pelo próprio consumidor, a partir de sua percepção da notícia. A pesquisadora Silvia Ramirez Gelbes propõe uma modificação na definição de “discurso de ódio”. A autora apresenta opiniões e mostra como esse tipo de discurso, quando escrito, também é expresso por meio de recursos não-verbais. Para exemplificar seus argumentos, Silvia analisa um perfil da rede social X (Twitter). As análises no contexto latino-americano encerram com o artigo de Pedro Russi, que propõe uma reflexão inferencial na esfera do sentido e na tensão semiótica da semiosfera-mentalidade religiosa como espaço da semiosfera-mentalidade política. O autor faz uma leitura sobre as transfigurações e a renovação sígnica da mentalidade política pela mentalidade religiosa, articulada e normalizada pelos sistemas narrativos, bem como os significados colocados em circulação por processos de midiatização. A análise se desenvolve nos contextos brasileiro, uruguaio e argentino. A última parte do livro trata da reflexão Silêncios e silenciamentos midiáticos: estratégias discursivas de produção do não-acontecimento em crises ambientais, que foi abordada no Pentálogo XIII por pesquisadores e pesquisadoras da Fiocruz. Inesita Soares de Araujo, Raquel Aguiar, Adriano de Lavor Moreira, José Gadelha da Silva Júnior, Anderson dos Santos Machado, Sandra Raquew dos Santos Azevêdo e Cláudia Malinverni partem do entendimento comum de que a existência de um não-acontecimento é atravessada pela (in)visibilidade simbólica, e que essa característica decorre de dispositivos midiáticos produtores dos acontecimentos.Os autores e autoras retomam as reflexões feitas durante o painel do Pentálogo XIII. O artigo trata sobre a ausência de migrantes e refugiados na discussão sobre mudanças climáticas, o protagonismo invisível dos ribeirinhos nas cheias amazônicas, o não-acontecimento como dispositivo midiático nas enchentes gaúchas, o silêncio sobre a luta das mulheres paraibanas contra o projeto predador dos parques eólicos e a invisibilização dos corredores ecológicos na epidemia da febre amarela. A realização desta obra só se tornou possível graças à contribuição de profissionais que caminharam conosco nesse processo. Agradecemos a Márcia Zanin Feliciani pela revisão normativa dos textos e a Eduardo Prates Macedo pela criação da capa. Estendemos, ainda, nosso agradecimento à Eduepb, responsável pela edição desta e das quatro últimas publicações do Ciseco. O nosso muito obrigado à Diretoria, em especial a Cidoval Morais de Sousa e Antonio Roberto Faustino da Costa, bem como a Arão de Azevedo Souza, pelo cuidadoso trabalho de diagramação. Desejamos uma boa leitura a todos/as Aline WeschenfelderAntonio Fausto NetoViviane Borelli

Keywords

1. Semiótica e Comunicação, 3. Epistemologia do Acontecimento, 2. Acontecimento - Comunicação

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