
Esse artigo buscou analisar a relação entre música e psicanálise, enfatizando a sublimação como via de elaboração subjetiva e de acesso aos conteúdos inconscientes. Partiu-se do pressuposto de que a musicalidade antecede a linguagem verbal e participa da constituição psíquica desde as primeiras experiências do sujeito, especialmente por meio da voz materna, cujos elementos de melodia, ritmo e afeto introduzem o infans no campo simbólico do Outro. Metodologicamente, realizou-se uma revisão da literatura psicanalítica clássica e contemporânea, com base em autores que discutem sublimação, pulsão, arte e música, buscando articular tais conceitos à experiência estética e à constituição do sujeito. Os resultados indicam que a música opera como mediadora entre corpo, afeto e significante, favorecendo a simbolização de conteúdos inconscientes que escapam à significação direta. Observou-se que a musicalidade inicial da voz materna organiza o campo simbólico e sustenta a emergência do sujeito falante, ao passo que a música, enquanto experiência estética, toca dimensões do real, evocando traços traumáticos e possibilitando sua elaboração. A sublimação mostrou-se elemento central na compreensão da criação musical, ao permitir o redirecionamento da energia pulsional para produções simbólicas socialmente valorizadas. Conclui-se que a música, compreendida como objeto pulsional e linguagem simbólica, constitui um recurso potente para a elaboração psíquica, ao transformar sofrimento, vazio ou trauma em criação, ampliando possibilidades de intervenção e reflexão no campo da saúde mental.
Psicanálise; Sublimação; Música.
Psicanálise; Sublimação; Música.
