
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS: A malária, causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, segue como importante desafio de saúde pública no Brasil. Em 2023, o país notificou 140.265 casos autóctones, representando um aumento de 8,8% em relação ao ano anterior. Este estudo teve como objetivo identificar o número de casos confirmados de malária em Goiás entre 2013 e 2023 e caracterizar o perfil dos acometidos. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de estudo descritivo, transversal e quantitativo, com análise de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (DATASUS). Foram avaliados o número de casos, a espécie de Plasmodium, a faixa etária, o sexo e a escolaridade dos pacientes. RESULTADOS: No período foram confirmados 657 casos de malária em Goiás, com menor número de registros em 2017 (3,81%;N=25) e o maior em 2022 (14,92%; N=98). Até 2020, não foram registrados mais de 60 casos anuais, mas a partir de 2021 observou-se um aumento gradual, com pico em 2022 e mantendo-se elevados em 2023 (14,76%;N=97). Quanto à espécie de Plasmodium responsável pela infecção, verificou-se predomínio do P. vivax (80,66%; N=530), seguido do P. falciparum (14,15%; N=93). A faixa etária mais acometida foi de 20 a 39 anos (51,44%; N=338) e a maioria dos casos ocorreu no sexo masculino (75,34%;N=495). Em relação à escolaridade, houve maior frequência entre indivíduos com ensino médio completo (18,72%;N=123), mas 36,22% dos registros estavam em branco ou ignorados, dificultando a análise dessa variável. Embora a migração de pessoas de áreas endêmicas explique grande parte dos casos, registros autóctones também foram observados e são, em sua maioria, relacionados ao desmatamento e uso do solo no Cerrado, fatores que favorecem a adaptação do vetor em áreas urbanas e periurbanas. Ademais, o padrão observado em Goiás repete o cenário nacional: predomínio de casos em adultos jovens e do sexo masculino, possivelmente vinculados a atividades laborais de risco, como trabalho rural, garimpo e extrativismo. CONCLUSÃO: Houve aumento no número de casos de malária em Goiás nos últimos anos, especialmente em 2022 e 2023. Esse cenário ressalta a necessidade de investigar alterações ambientais e mudanças climáticas que favoreçam a proliferação de vetores, além de reforçar a necessidade de vigilância epidemiológica e de medidas preventivas, essenciais para o diagnóstico precoce e a redução do risco de complicações e mortalidade associada à doença.
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