
EDITORIAL Partindo do pressuposto de que a crise que vivemos é, antes de mais, de âmbito moral e intelectual que não se deve a uma situação objetiva, mas fruto de uma ocorrência subjetiva (Crozier, 1995), o conhecimento produzido pelas instituições de ensino superior passou a ser divulgado de forma mais rápida e precipitadamente com maior tendência de ser mais questionado. Esta realidade foi bastante evidenciada durante o período da pandemia da COVID-19 e reforçada recentemente com a emergência do uso do ChatGPT nas produções científicas. Nestes tempos de crise, a expressão “produção científica” ganhou maior visibilidade. Entretanto, sujeito a diversos questionamentos, a produção científica vive tempos áureos em que se produz bastante e difunde resultados a uma velocidade nunca experimentada. Contudo, essa rapidez na produção e na difusão do conhecimento começa a ser questionada e como tal a vários desafios, pois novas práticas como Creative Commons , salami science e recurso a assistentes de escrita como ChatGPT, desempenhando um acesso ao debate sobre questões éticas e legais . É importante, então, que sejam feitos questionamentos e análises sobre os desafios do processo de produção científica. Por exemplo, a produção científica ao ser disponibilizada na Web, a sua difusão, experimenta expansividade e velocidade nos processos comunicacionais (Aragão & Mendes, 2017) e o seu produtor não teria mais como evitar a sua propagação. Neste sentido, se por um lado, a restrição de acesso passou a ser vista como uma anomalia, por outro lado, a dinâmica da Internet tem potencialidade para acabar com a propriedade do conhecimento. Ao considerar a influência dessas mudanças desenham-se “as fronteiras de alguns dos progressos da ciência” (Ferro, 1998, p. 19), numa dinâmica de exigência da sociedade do conhecimento que recupera novas posturas e abordagens (Laita, 2015), ao nível do que deve ser a produção científica. Ainda para este autor a tentativa seria desafiar as Instituições de Ensino Superior (IES) a produzirem soluções e respostas face ao clima de incerteza e de mudança permanente que se vive, um pouco por todo o lado. Assinala-se, contudo, que o ponto de partida é a parte de novos cálculos que permitiram mudanças nas práticas de produção científica. O olhar que privilegiamos, neste texto, procura dar enfase à produção científica numa época marcada por crises e incertezas. As questões que se colocam ao capital científico produzido e as implicações sociais que estas podem gerar na procura de soluções sociais que respondam aos desafios de um desenvolvimento social sustentado (Ferreira, 2013), determinantes para o avanço intelectual e bem-estar da humanidade e para desenvolvimento sustentável (Sampaio, Sabadini & Koller, 2022). Neste cenário é importante saber quais são as questões e os desafios que se impõem à produção científica em época de crise e incertezas. Por isso, neste número da Revista Sol Nascente, alguns textos apresentam produções científicas na área da educação e sobre a pandemia COVID-19. Relativamente a educação olha-se para questões sobre os sistemas de qualidade no ensino, gestão democrática do currículo, tendências de investigação e práticas pedagógicas no ensino de história e português. Relativamente à COVID-19, abordam-se questões ligadas à produção em tempo de crise tendo como foco a cura científica educacional e os conceitos mais usados na época de pandemia.
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