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A etnobiologia tem se desenvolvido nos últimos 30 anos, particularmente do ponto de vista teórico, permitindo avanços na compreensão das relações entre grupos humanos e biota, assim como também do ponto de vista prático, contribuindo com decisões ligadas à conservação biocultural. A etnobiologia envolve um campo interdisciplinar que investiga as relações complexas entre as pessoas e a biota e, mesmo considerando os avanços nesse campo, ainda são poucas as propostas de organização conceitual e teórica que podem guiar as investigações. Essa organização é importante ao observar que os estudos etnobiológicos podem se basear em orientações teóricas e metodológicas de diferentes disciplinas e que muitas vezes não dialogam entre si. Uma proposta de organização conceitual foi finalmente publicada estando, assim, disponível para avaliação da comunidade científica (ver a proposta em Albuquerque et al. 2020b). Recentemente, um novo ramo da etnobiologia foi proposto, chamado de etnobiologia evolutiva (EE), o qual investiga os aspectos históricos e contemporâneos que afetam os conhecimentos e práticas humanas associadas com a biota, a partir de cenários teóricos da ecologia e evolução. A EE tem contribuído conceitualmente e teoricamente por empregar cenários ecológicos e evolutivos para estudar as relações dinâmicas entre grupos humanos e seus ambientes, sendo importante para avaliar, por exemplo, o quanto a nossa espécie tem modificado ambientes e de que modo o ambiente (e as modificações empregadas neste) tem afetado a nossa espécie no tempo no espaço. Para explicar esta nova abordagem de forma muito breve, apresentamos neste livro (fruto do primeiro curso online de EE, dezembro de 2020) uma série de capítulos que destacam algumas definições e conceitos-chave em EE, assim como as bases ecológicas e evolutivas das relações entre grupos humanos e seus ambientes. Ao considerar que publicações recentes têm abordado a EE de forma superficial e, algumas vezes, completamente equivocada (ver Pierotti 2020; Villagómez-Reséndiz 2020), esperamos que este livro permita o entendimento desta importante abordagem, que pode ajudar na compreensão da complexidade presente em sistemas socioecológicos, principalmente para investigadores que se sintam mais alinhados com a ecologia e evolução. Apenas para sinalizar um dos equívocos sobre a EE, Villagómez-Reséndiz (2020) introduz: ?Na mesma linha da etnobiologia mexicana, abordamos dois ramos principais da etnobiologia brasileira: etnobiologia evolutiva e etnoecologia?(p. 3). Esta frase sugere o desconhecimento da complexa realidade da etnobiologia brasileira, reduzindo a dois ramos principais. O desconhecimento dessa complexidade se fortalece na frase seguinte, em que o autor critica a EE por sua falta de alinhamento com a etnografia e a antropologia: ?Assim, na medida em que a etnobiologia evolutiva não desenvolve etnografias mais profundas de acordo com métodos antropológicos adequados, suas estratégias epistêmicas só conseguirão uma integração fraca entre biologia e antropologia? (p. 4). Ora, a EE se estrutura a partir de outros referenciais teóricos, epistemológicos e metodológicos. Também não exclui o diálogo e o envolvimento de outras abordagens, com diferentes orientações teóricas, no campo maior da etnobiologia. A EE apenas usa uma outra lente para olhar a nossa relação com a natureza e não impede que outros façam o mesmo a partir de suas próprias lentes disciplinares.
Fil: Rosa Santoro, Flávia. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas. Centro Científico Tecnológico Conicet - Córdoba. Instituto Multidisciplinario de Biología Vegetal. Universidad Nacional de Córdoba. Facultad de Ciencias Exactas Físicas y Naturales. Instituto Multidisciplinario de Biología Vegetal; Argentina
Fil: Machado de Freitas Lins Neto, Ernani. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil
Fil: Soares Ferreira Júnior, Washington. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil
Fil: Medeiros Jacob, Michelle Cristine. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil
Fil: Santos Gonçalves, Paulo Henrique. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil
Fil: Borba do Nascimento, André Luis. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil
Fil: Moreno Brito de Moura, Joelson. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil
Fil: Henriques da Silva, Risoneide. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil
Fil: Albuquerque, Ulysses Paulino. Universidade Federal Rural Pernambuco. Departamento de Biología. Laboratorio de Etnobotanica Aplicada; Brasil
Grupos humanos, https://purl.org/becyt/ford/1.6, Conservación, Bases ecológicas, Etnobiología, https://purl.org/becyt/ford/1
Grupos humanos, https://purl.org/becyt/ford/1.6, Conservación, Bases ecológicas, Etnobiología, https://purl.org/becyt/ford/1
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