
handle: 11328/3273
Nossa pesquisa visa a compreender as histórias de vida de pessoas LGBT+ e suas trajetórias socioeducativas e familiares, para identificar as experiências de estigmatização ou discriminação e, consequentemente, analisar o impacto da cultura heteronormativa sobre a construção da identidade pessoal e de projetos de vida. As pessoas participantes são 12 indivíduos assumidamente LGBT+, com idades entre 20 e 36 anos. O guião de entrevista narrativa inclui questões biográficas e reflexivas: as questões biográficas referem-se aos episódios significativos (incluindo o processo de “coming-out” e eventuais experiências de vitimização homofóbica), as relações familiares e as trajetórias escolares ou profissionais. As questões reflexivas concernem à ideologia pessoal (i.e., crenças e valores religiosos, éticos e políticos) e à avaliação da cultura heteronormativa com as suas instituições educativas e políticas, solicitando propostas de estratégias sociais e escolares para a promoção da dignidade das pessoas LGBT+ e para o desenvolvimento de valores cívicos comuns, nomeadamente o respeito, a diversidade, a liberdade e a igualdade. Os resultados mostram que os participantes viveram episódios marcantes de homofobia no contexto social, onde se distinguem exclusões de violência física e simbólica variável e alianças protetoras no interior da comunidade de pares LGBT+ e de heterossexuais inclusivos. A identidade pessoal transforma-se num processo saturado de tensões axiológicas e de dilemas sobre inclusão/exclusão, obediência/transgressão, nomeadamente por meio da tomada de consciência das normas sexuais hegemónicas. Em todas as biografias, há um episódio de assertividade da diferença identitária, acompanhada de intensa crítica ética e política às instituições sociais consideradas como instrumentos ambivalentes de reprodução e de inovação sociocultural. O estudo permite concluir que as atitudes de homofobia se estabilizam e desestabilizam no meio social mediante à qualidade cívica dos indivíduos que convivem com a pessoa LGBT+ e das suas estratégias de valorização da diversidade humana, da tolerância empática e do respeito pelas minorias. No plano da intervenção socioeducativa, o ideal da inclusão e da justiça para igualdade de oportunidades exige a implementação de práticas específicas de reconhecimento da diferença que rejeite não somente todas as formas de discriminação, mas também a indiferença ou a neutralidade que se transmite em pedagogias do silêncio e da autoinibição.
Heteronormatividade, Pessoas LGBT+, Homofobia, Histórias de vida, Educação para a cidadania, Discriminação
Heteronormatividade, Pessoas LGBT+, Homofobia, Histórias de vida, Educação para a cidadania, Discriminação
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