
handle: 10451/63381
A Estremadura constitui uma região de fachada litoral e de relevo muito contrastado, aspectos que, só por si, tornam o estudos dos seus comportamentos pluviométricos um tema de investigação muito atraente para o geógrafo. A diversidade desta região sob o ponto de vista geográfico tem sido insistentemente notada, podendo aqui citar-se O. Ribeiro, que a ela se referiu da seguinte forma: "Na rica diversidade do território português, mais forte e contrastada na parte setentrional do país, nada iguala a Estremadura, que é, por isso, a região geográfica mais difícil de definir e de delimitar" (O.RIBEIRO, 1968. p. 274). No entanto, neste trabalho não constitui preocupação o problema da definição territorial da Estremadura como região geográfica. O objecto desta dissertação consiste no estudo das características pluviométricas da região que se compreende, de Norte para Sul, entre as latitudes da Nazaré e da Ericeira, e de Este para Oeste, do meridiano de Porto de Mós ao Oceano Atlântico. As razões que suscitaram o interesse por este tema de investigação e que, em certa medida, justificam os limites considerados para a área de estudo, prendem-se com vários aspectos. Em primeiro lugar, a região acima delimitada caracteriza-se por apresentar uma organização particular do relevo. Nas figs. 1 e 2 pode constatar-se que, no seio desta região se destaca a presença de uma barreira montanhosa alongada no sentido submeridiano, com uma certa continuidade e situada a 15-20km do litoral. De Norte para Sul, este alinhamento integra um sistema de relevos de dimensões muito variáveis, sendo os mais elevadas as Serras de Candeeiros, Montejunto, Galega e Socorro. O papel climático deste obstáculo, em particular a sua influência no comportamento pluviométrico nas áreas situadas a Oeste (fachada marítima da Estremadura) e a Este (áreas que se abrem à bacia do Tejo) constitui assim um problema interessante e que se pretende abordar neste trabalho. S.DAVEAU (1977), no seu estudo sobre a repartição e ritmo das precipitações em Portugal, salientou já a importância daquele sistema de relevos para a diversidade pluviométrica regional: "de Lisbonne à Tomar, l'abri des colines d'Estremadura donne sans transition aux plaines du Ribatejo un faciès très méridional(...)" (ob.cit.p.168). De facto, esta autora atribui um portante significado climático àquele conjunto de relevos, ao incluí-los no alinhamento descontínuo de obstáculos que estabelece a transição entre duas regiões pluviométricas de Portugal : o Centro e o Sul. A diminuição da quantidade e frequência das precipitações, a acentuação da secura estival, que se alarga a um longo período de quatro meses, são os traços gerais que assinalam a passagem de uma a outra região. No presente trabalho, procede-se ao estudo das características pluviométricas da Estremadura (para uma mais fácil referência, assim designaremos a região por nós estudada, embora ela compreenda, no seu sector sudeste, áreas pertencentes ao Ribatejo), conferindo uma especial relevância às questões respeitantes à variabilidade espacial das precipitações. No seu todo, o trabalho integra duas partes complementares: Na primeira parte, após uma breve caracterização da rede pluviométrica da região, são tratados os dados de precipitação expressos à escala anual e mensal. O desenvolvimento desta primeira parte do trabalho, «o enquadramento pluviométrico regional», visa atingir três objectivos essenciais: 1) - proceder a uma caracterização da variabilidade espacial da precipitação anual; 2) - caracterizar o regime pluviométrico, procedendo ao reconhecimento de eventuais variações no seio da região; 3) - avaliar o grau de irregularidade das precipitações no interior da região; Na segunda parte utilizar-se-á a escala de análise diária, realizando-se um breve estudo monográfico das precipitações ocorridas na Estremadura num conjunto de quatro anos previamente seleccionados (1987/88 a 1990/91) e das situações sinópticas por elas responsáveis. Esta segunda parte, intitulada «situações sinópticas e modalidades da repartição espacial das chuvas na Estremadura», subdivide-se em dois capítulos. No primeiro deles procede-se à análise sinóptica propriamente dita, compreendendo quer o processo de classificação das situações, quer a avaliação da sua frequência e variabilidade no período considerado. O segundo capítulo incide, sobretudo, na análise das implicações das situações sinópticas na repartição espacial das precipitações. Deste modo, a elaboração da segunda parte procura corresponder aos seguintes propósitos fundamentais: 1) - definir as situações sinópticas que se revelam responsáveis pela ocorrência de precipitação na Estremadura; 2) - analisar a frequência de ocorrência e variabilidade das situações sinópticas associadas ao tempo chuvoso na Estremadura no período considerado; 3) - estudar as relações entre as diversas situações sinópticas e a forma como as chuvas se repartem no interior da região.
Variabilidade espacial da precipitação, Portugal, Geografia Física, Estremadura, Sistema de relevos, Geografia
Variabilidade espacial da precipitação, Portugal, Geografia Física, Estremadura, Sistema de relevos, Geografia
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