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Introdução: A incidência de prolapso uterino e a procura de correção cirúrgica tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Sem evidência científica que sustente uma opção de primeira linha para a correção cirúrgica do histerocelo, a histerectomia vaginal (HV) continua a mais aceite dentro da Secção Portuguesa de Uroginecologia. No entanto, a sua eficácia é constantemente questionada comparativamente a outros procedimentos inovadores, porém mais invasivos. Existe uma carência de estudos, focados apenas na histerectomia vaginal e nos seus desfechos a longo prazo. Objetivo: Avaliar a eficácia da HV e suas complicações a curto e longo prazo. Métodos: Realizou-se um estudo retrospetivo de 2008 a 2020, incluindo mulheres com prolapso uterino de grau 2 ou superior, submetidas a HV com suspensão tipo McCall e avaliadas em três momentos distintos de seguimento (12, 24 e 48 meses). Foram excluídas as HV com presença de correções concomitantes dos compartimentos anterior e/ou posterior e antecedentes cirúrgicos de correções de prolapso. Foi estudada a taxa de recidiva de prolapso apical, taxa de reoperação de prolapso apical e as complicações relacionadas com a HV: intraoperatórias (hemorragia com necessidade de transfusão sanguínea, lesão nervosa, vesical ou ureteral, complicação tromboembólica e mortalidade), a curto prazo (anemia com necessidade de transfusão sanguínea, hemorragia vaginal, deiscência da cúpula vaginal e infeção) e a longo prazo (prolapso de novo ou agravamento de outros compartimentos, reoperação de prolapso de outros compartimentos, sensação de massa a aflorar à vulva, incontinência urinária de esforço de novo ou agravamento, dispareunia e deiscência da cúpula vaginal). Resultados: Foram incluídas 65 mulheres (n=60 aos 12 meses de seguimento, n=45 aos 24 meses e n=23 aos 48 meses). O desfecho primário medido foi a recorrência com 43,5% de prolapso de cúpula vaginal, sendo 3,1% reoperadas. Adicionalmente, 65,2% tinham prolapso agravado ou de novo de outros compartimentos com uma taxa de 16,9% submetidos a cirurgia de correção. Observou-se que 39,1% reportaram massa a aflorar à vulva, 17,4% incontinência urinária de esforço agravada ou de novo, 4,3% dispareunia e nenhuma apresentou deiscência da cúpula vaginal. Das complicações a curto prazo houve evidência de 6,2% de infeções (infeção urinária baixa e celulite da cúpula) e apenas um caso de paragem cardíaca associada à anestesia. Conclusão: A maioria das mulheres com prolapso uterino grau 2 ou superior (isolado) submetidas a HV teve recidiva anatómica, mas poucas foram reoperadas (a maioria melhora os seus sintomas, fica com prolapso de menor grau comparando com o estadio inicial, não sentindo impacto na qualidade de vida que justifique nova intervenção cirúrgica). A HV é um procedimento eficaz e com baixa taxa de complicações a curto e longo prazo.
Introduction: Incidence of uterine prolapse and search for surgical procedures to correct it is shown to be increasing throughout the years. Without scientific evidence that supports a first line option for surgical prolapse correction, vaginal hysterectomy (VH) continues to be the one most accepted among the Portuguese Sector of Urogynecology. However, its effectiveness is constantly questioned compared to other more innovating but more invasive procedures. There is a lack of studies focused only on vaginal hysterectomy itself and its outcomes on a long-term follow-up. Objective: To evaluate the effectiveness of VH and its complications in short and long term. Study Design: Women with uterine prolapse of stage 2 or higher, that underwent VH with a suspension McCall like, were included in this retrospective study from 2008 to 2020 and were evaluated in 3 different moments of follow-up (12, 24 and 48 months). VH with the presence of concomitant corrections of the anterior and/or posterior compartments and surgical history of prolapse corrections were excluded. The rate of apical prolapse recurrence, apical prolapse reoperation rate and complications derived from VH were studied: intraoperative (hemorrhage requiring blood transfusion, nerve injury, bladder or ureteral injury, thromboembolic complication and mortality), short-term (anemia requiring blood transfusion, scanty vaginal bleeding, dehiscence of the vaginal vault and infection) and long-term (aggravated or de novo prolapse of other compartments, reoperation for prolapse of other compartments, sensation of vaginal bulge, aggravated or de novo stress urinary incontinence, dyspareunia, and vaginal cuff dehiscence). Results: A total of 65 women were included, (n=60 at 12 months follow-up, n=45 at 24 months and n=23 at 48 months). The primary outcome measured was recurrence with 43,5% of vaginal vault prolapse, with 3,1% reoperated. Additionally, 65,2% had aggravated or de novo prolapse of other compartments with a rate of 16,9% undergoing correction surgery. Furthermore, there were 39,1% who felt a vaginal bulge, 17,4% with aggravated or de novo stress urinary incontinence, 4,3% with dyspareunia and no vaginal cuff dehiscence was found. From the short-term outcomes there was evidence of 6,2% rate infections (lower urinary tract infection and cuff cellulitis) and only one reported case of cardiac arrest associated with the anesthesia. Conclusion: Most women with stage 2 or higher uterine prolapse (isolated) undergoing VH, had an anatomic recurrence but few were reoperated (most improve their symptoms, have a lower degree of prolapse compared to the initial stage, feeling no impact on quality of life that justifies a new surgical intervention). VH is an effective procedure with a low rate of short and long-term complications.
Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2022
Domínio/Área Científica::Ciências Médicas, Complicações cirúrgicas, Prolapso da cúpula, Ginecologia, Prolapso apical, Histerectomia vaginal, Prolapso uterino
Domínio/Área Científica::Ciências Médicas, Complicações cirúrgicas, Prolapso da cúpula, Ginecologia, Prolapso apical, Histerectomia vaginal, Prolapso uterino
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