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A problemática da utilização e concepção do manual filosofia começou a ocupar-nos, decisivamente, a partir do momento em que exercemos a função de consultora de projectos de livros escolares. Nos anos em que trabalhámos na formação de professores e, muito especialmente, no ano da generalização da Reforma, em que supervisionámos quatro núcleos de estágio da Universidade Católica, tivemos oportunidade de conhecer a prática lectiva baseada em diferentes manuais e os embaraços criados aos alunos e professores pelo contacto com a textualidade. Ou então, o texto, os conteúdos eram de uma banalidade e superficialidade com a qual a exigência filosófica não se compadecia. Julgamos que, no caso vertente, podemos articular estes dois aspectos: a formação de professores e a elaboração de manuais. Porque, nos parece óbvio, que o seu autor tem de possuir uma sólida formação cultural e científica, que. aqui. desemboca no saber filosófico. Também, não se podem subalternizar os processos de aprendizagem e a formação pedagógico\didáctica. Por outro lado, o livro escolar é o meio didáctico e de aprendizagem mais universal, quer pelas funções informativas, quer pela contextura, quer como suporte de actividades educativas. Pareceu-nos, desde logo, um tema pertinente e, nessa medida, é possível edificarmos alguns argumentos sobre a sua relevância. Dada a obrigatoriedade da escolha de manuais de filosofia por um período de três anos, após a Reforma Curricular, os docentes têm sentido que não é fácil a sua eleição, não tanto devido ao número de manuais que inundaram o mercado, mas face às características que estes apresentam e aos critérios que salvaguardam determinados interesses difíceis de compatibilizar. Há, em nosso entender, fundamentalmente, dois hipotéticos tipos de manuais: 1° Aqueles em que a qualidade e rigor dos textos não está em causa, mas se revelam inacessíveis aos alunos. Este género de livro, em geral, não oferece propostas pedagógicas e\ou trabalhos que possam suscitar o interesse dos actores do processo ensino-aprendizagem. 2º Os manuais mais virados para os percursos pedagógicos, que visam objectivos interdisciplinares e de avaliação formativa, mostram qualidade estética ao nível das imagens, isto é, são apelativos para alunos e professores, mas genericamente, os textos apresentam-se sem cunho filosófico. São, muitas vezes, artigos de jornal, pequenas frases motivadoras e textos de comentadores de filósofos, não raro, sem interesse e sem eficácia, parecendo não serem seleccionados judiciosamente. O cerne destas concepções de manual dilui-se em razões de ordem diferente. Vamos, ao longo deste trabalho, abeirarmo-nos de algumas delas, que se prendem com aspectos gerais da forma que o currículo configura. (...)
Tese de mestrado em Ciências da Educação, Universidade de Lisboa, 1998
Domínio/Área científica::Ciências Sociais::Ciências da Educação, Manuais de ensino, Métodos de aprendizagem, Teses de mestrado - 1998, Pedagogia, Meios de ensino
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