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Esta dissertação tem como objectivo descrever as condições de ocorrência – sintácticas, semânticas e discursivas – de sintagmas nominais simples em posição de sujeito pré-verbal em português europeu. Os sintagmas nominais simples (em inglês, Bare Noun Phrases) ocorrem em diversas línguas com distribuições nem sempre coincidentes. Estes nominais, particularmente os massivos e os contáveis no plural, podem ocorrer em inglês e nas línguas românicas (com excepção do francês) quer como argumentos quer como predicados. No que diz respeito às posições argumentais, as línguas românicas permitem a sua ocorrência como sujeitos pós-verbais e como objectos, enquanto em inglês os nomes simples ocorrem aparentemente sem restrições. Este contraste sintáctico tem efeitos na interpretação: em posição pós-verbal os nomes simples são lidos (preferencialmente) como existenciais, enquanto a posição pré-verbal pode permitir quer uma leitura existencial quer uma leitura genérica. A primeira questão a este respeito decorre de uma assimetria (a possibilidade versus a impossibilidade de ocorrência em posição pré-verbal), mas também da relação entre a distribuição as leituras obtidas. A maioria dos estudos sobre sintagmas nominais simples concentra-se no inglês e parte da relação estabelecida por Carlson (1977) entre as leituras destes nominais como sujeitos e os tipos de predicado com que ocorrem naquela língua. Assim, a leitura genérica é obtida com predicados de espécie e a leitura existencial com predicados de estádio. Com predicados de indivíduo, a leitura é ambígua. A solução para o problema desta ambiguidade motivou a investigação posterior. Autores como Dayal (1992), Longobardi (1994), Chierchia (1998), Crisma (1999), Lai-Shen & Sybesma (1999), Schmitt & Munn (1999), Delfitto (2002), Zamparelli (2002), Déprez (2003), Krifka (2003), entre outros, propuseram análises com base nas línguas românicas (incluindo o português do Brasil), nas línguas germânicas, nos crioulos, no chinês e no híndi.A discussão teórica centrou-se na necessidade de fazer intervir operadores capazes de ajustar os nomes simples, entendidos por Carlson como nomes de espécie, às propriedades dos predicados, mas também se debruçou sobre a estrutura do domínio nominal. À excepção da proposta de Chierchia (1998) sobre a não projecção de um sintagma de determinante por um princípio de economia, é quase consensual que os sintagmas nominais simples projectam esse sintagma e que a posição D (núcleo do sintagma) vazia é a chave para as leituras obtidas quer em inglês quer nas outras línguas, nomeadamente as românicas.Assim, Longobardi (2008) propõe que, na posição D, se verifiquem traços de Pessoa e parametriza as línguas de acordo com a necessidade de verificar esses traços. Em inglês, os nomes simples podem subir para D, nas línguas como o italiano pode ser inserido um determinante, presumivelmente expletivo. Delfitto (2002), na linha das propostas de Longobardi (1994) e seguintes, e retomando a ideia de Contreras (1986) de regência própria, considera que os nomes simples são quantificadores generalizados (e não nomes de espécie) que, em inglês, podem subir para D e, nas línguas românicas, só sobrevivem se essa posição for regida por um verbo ou por uma preposição. A subida de N(ome) para D em inglês permite a leitura genérica; a posição D vazia, licenciada e legitimada por um verbo ou uma preposição permite apenas a leitura existencial. A leitura existencial dos sintagmas nominais simples com predicados de indivíduo em inglês deve-se, segundo Delfitto (2002), à possibilidade de reconstrução no interior do sintagma verbal. Esta análise, que propõe a intervenção de outros mecanismos sintácticos, mantém no entanto a condição de regência pelo verbo e consequente leitura existencial do sintagma nominal. Delfitto (2002) considera ainda que, no caso dos predicados de indivíduo não permanentes, a presença de uma oração relativa licencia e legitima o D vazio, de acordo com a análise de Kayne (1994) e Bianchi (1995) das orações relativas. Nestes predicados, existe quantificação sobre eventos resultante da presença de um quantificador não ligado, de que resulta uma leitura genérica da frase, mas não do sintagma nominal sujeito em posição pré-verbal. O português europeu é uma língua românica que se comporta de uma forma geral como o italiano, tal como ele é descrito por Delfitto (2002). Oliveira & Cunha (2003), aliás, demonstram que os nomes de espécie em português europeu dependem crucialmente da presença de um determinante definido. Assim, os nomes simples não são nomes de espécie nem podem ter leituras genéricas. Ocorrem geralmente em posições pós-verbais e têm uma leitura existencial.O facto de ser possível encontrar ocorrências de sintagmas nominais simples em diferentes contextos sintáctico-semânticos e discursivos em português europeu contraria aparentemente a descrição feita na literatura. Os sintagmas nominais simples em posição de sujeito pré-verbal em português europeu podem ocorrer como tópicos marcados, em frases que parecem constituir juízos categóricos, com leituras não existenciais com predicados de espécie ou de indivíduo ou em frases caracterizadoras. Ocorrem também, mas com leituras existenciais, em frases que parecem constituir subtópicos discursivos em contextos descritivos, como ‘scripts’, no sentido de Fillmore (1985).Quando ocorrem com leituras não existenciais, os contextos aproximam-se do discurso dos provérbios, tal como é descrito por Lopes (1992). Lopes (1992) refere-se à leitura genérica destes sintagmas (no caso, no singular) como uma consequência de não estar presente nenhum determinante lexical. A diferença maior, porém, é que os sintagmas nominais simples que ocorrem em provérbios são tipicamente singulares. E a presença de número morfológico permite estabelecer diferenças cruciais entre sintagmas plurais e sintagmas singulares. Estes últimos não podem ocorrer com predicados de espécie nem com predicados de estádio estativos e remetem sempre para leituras prototípicas. Os sintagmas plurais denotam um conjunto de átomos não-específico que permite a sua ocorrência numa maior diversidade de contextos. A consideração de que a informação de número é também crucial para a descrição dos comportamentos dos nomes simples, tendo em conta trabalhos como o de Swart, Winter & Zwarts (2007) ou o de Espinal (2010), entre outros, leva-nos à adopção de uma projecção de número (Ritter, 1991) no interior do sintagma do determinante para a qual o nome se move para verificar traços como [contável] (Crisma, 1999) e [plural]. Esta projecção será também necessária no caso de nomes simples no singular em posição de sujeito. A posição D contém traços não verificados de Pessoa (Longobardi, 2008), Referência ou Definitude que, em português europeu, não são verificados por subida de N para D. A sobrevivência dos nomes simples em posição pré-verbal depende da sua combinação com os tipos de predicado e também com os valores de aktionsart, de forma muito semelhante ao proposto por Oliveira, F. et al. (2006), em que o traço [±habitual] determina a possibilidade ou a impossibilidade de subida do sintagma sujeito para uma posição pré-verbal (Spec, TP ou, como aqui é proposto, TopP). No caso dos sintagmas nominais simples com leitura não existencial, é possível que o traço seja [+gnómico], considerando as observações feitas para os contextos proverbiais por Lopes (1992).A proposta de que os sintagmas nominais simples, quando ocorrem com predicados com um traço aspectual [+gnómico], se deslocam para uma posição na periferia esquerda da frase tem duas motivações: a primeira é que a posição é não argumental e foge à restrição de regência ou comando-c assimétrico de um verbo ou de uma preposição, permitindo uma leitura não existencial do nome; a segunda é que os traços não verificados em D, que permanece vazio, são legitimados por um traço da posição TopP, nomeadamente o que corresponde a ‘acerca de / quanto a’, de acordo com a proposta de Reinhart (1981) para os tópicos marcados. Embora os sujeitos em português europeu sejam tópicos não marcados, tal como argumentam Costa & Duarte (2002), as características sintácticas e semânticas dos nomes simples e dos contextos em que ocorrem permitem que se movam por razões discursivas, fazendo parte da gestão do campo comum (‘common ground management’) aos participantes, tal como é definido por Bianchi & Frascarelli (2010). Estes sintagmas são ou tópicos ‘acerca de’ (em inglês ‘aboutness topics’) ou tópicos contrastivos (Büring, 1999), e ocorrem fundamentalmente em frases raiz ou subordinadas epistémicas. São assim crucialmente distintos dos sintagmas definidos em posição de sujeito pré-verbal, que não dependem dos mesmos constrangimentos discursivos. A disponibilidade de uma leitura não existencial dos nomes simples como sujeitos de predicados de actividade depende também de um efeito de paralelismo: nomes simples como objectos facilitam a leitura não existencial dos nomes simples sujeito que ocorram com predicados com valor [+ gnómico]. A construção de Topicalização, tal como é descrita por Duarte (1987 e 1996), parece poder acomodar a descrição sintáctica do comportamento dos nomes simples em posição pré-verbal com uma leitura não existencial. A disponibilidade desta construção em português explica o contraste com línguas como o espanhol e o italiano, que dela não dispõem. Em contextos descritivos, os nomes simples no plural ocorrem como subtópicos de um ‘script’ (Fillmore, 1985), ou seja, informações decorrentes de uma situação estereotipada. De acordo com Abbot, Black & Smith (1985), os ‘ scripts’ organizam-se numa hierarquia em que os níveis mais baixos têm uma relação de partonímia com os níveis mais altos. Assim, uma situação explícita ou implícita permite a introdução de informação explícita de um nível mais baixo não passível de ser inferida. As inferências, no sentido de Johnson-Laird (2013), mais propriamente as induções, conduzem a uma das conclusões possíveis da premissa expressa pelo tópico discursivo mais amplo. Assim, os sintagmas nominais simples podem ser também elementos mais baixos de uma hierarquia que pode ser inferida ou inferências possíveis de um elemento mais alto na hierarquia. São lidos como existenciais e reconstruídos numa posição pós-verbal. As frases que integram são juízos téticos. A posição pré-verbal confere-lhes proeminência e a sua posição em Spec, TP decorre também de uma acumulação de eventos ou estados ou de uma conexão lógica em que o conector é nulo, sendo a relação (paratáctica) com o contexto sintáctico decorrente da hierarquia de significado possibilitada pelo ‘script’. Nestes casos, quando os nomes simples coocorrem com o presente do indicativo, este nunca tem um traço [+gnómico]. Na maioria dos casos de subordinação adverbial (central ou periférica) ou em orações relativas, a leitura existencial preferencial dos sintagmas nominais simples em posição de sujeitos préverbais sugere a possibilidade de conjunções ou conectores com algum conteúdo lexical poderem ter as mesmas propriedades que os verbos e as preposições e licenciar o D vazio numa relação de comando-c assimétrico. Quanto aos modificadores do nome, não parece ser possível generalizar a teoria de Delfitto (2002) aos adjectivos e aos sintagmas preposicionais. De acordo com a análise proposta por Miguel (2004), só os adjectivos que ocorrem apenas numa posição pré-nominal (como ‘mero’) não podem modificar nomes não definidos; são portanto incompatíveis com nomes simples. Todos os outros podem ser modificadores de nomes simples, embora, se considerarmos a sugestão de Lopes (1992), o adjectivo pós-nominal crie uma subespécie, podendo assim ser facilitador de uma leitura não-existencial do nome. Os adjectivos que ocorrem em posição prénominal, embora possam também ocorrer numa posição pós-nominal, desencadeiam leituras existenciais preferenciais, tal como sugere Demonte (1999). As orações relativas, de uma forma geral, melhoram também, em português europeu, a aceitabilidade dos nomes simples em posição de sujeito pré-verbal com predicados de espécie e de indivíduo (faseáveis ou não faseáveis, de acordo com a terminologia proposta por Oliveira, & Cunha, 2003, na sequência de Cunha, 1998) e de estádio (à excepção dos locativos). Assim, a proposta de Delfitto (2002) apresenta fragilidades que impedem a sua adopção sem uma investigação mais aprofundada. A aceitação de nomes simples (não modificados) em português europeu em posição de sujeito pré-verbal por falantes nativos justifica-se em contextos discursivos determinados e depende ou do licenciamento do D vazio por uma categoria com conteúdo lexical ou da sua ocorrência como subtópico discursivo numa sequência explícita ou inferida, ou ainda do movimento para uma posição não-argumental. Tipicamente, estas condições estão ligadas aos tipos de predicado com que ocorrem, e sobretudo ao seu valor aspectual [±gnómico]. Se ocorrerem como verdadeiros argumentos, obtêm uma leitura existencial. Caso contrário, a sua leitura será aparentemente genérica.
This dissertation aims describing the syntactic, semantic and discursive conditions of occurrence of pre-verbal Subject Bare Noun Plurals in European Portuguese. Bare Noun Phrases occur in several languages though their distribution varies. Mass and plural count nouns may occur in English and in Romance languages (except French) either as arguments or as predicates. In what argument positions are concerned, Romance languages allow for their occurrence as post-verbal Subjects and as Objects, unlike English where Bare Nouns apparently occur in an unrestrained way. This syntactic contrast has interpretation effects: in post-verbal position, Bare Nouns get a preferential existential reading, while those which occur in pre-verbal position may get either an existential or a generic reading. The first issue concerning these nominals is thus the asymmetry regarding their occurrence in pre-verbal or post-verbal position and the readings they get accordingly. Most works on Bare Noun Phrases is focused on English and has Carlson (1977) as their origin: Bare Noun Plural readings depend on the type of predicate they occur with. Kind-level predicates trigger a generic reading while Stage-level predicates trigger an existential reading of the Bare Noun. Individual-level predicates may trigger either a generic or an existential reading. Solution for this ambiguity problem became an issue for further investigation. Authors such as Dayal (1992), Longobardi (1994), Chierchia (1998), Crisma (1999), Lai-Shen & Sybesma (1999), Schmitt & Munn (1999) Delfitto (2002), Zamparelli (2002), Déprez (2003), Krifka (2003), among others put forward a number of hypotheses for Romance languages (including Brazilian Portuguese), Germanic languages, Creole languages, Chinese and Hindi. Theoretical discussion focused on the need to adjust Bare Nouns (which, according to Carlson are always Kind nouns) to the properties of predicates and on the structure of the nominal domain as well. Apart from Chierchia (1998) who claims, based on economic principles, that a Determiner Phrase does not need to be present, most authors use the Determiner Phrase as the key to the readings Bare Nouns may get. Thus, Longobardi (2008) suggests that the Person feature must be checked in the D position. So, languages vary according to a parameter: those in which nouns must check this feature and those which insert lexical determiners in the D position, arguably expletive determiners. Delfitto (2002), along the lines of Longobardi (1994) and the following, uses Contreras (1986) hypothesis of proper government and describes Bare Nouns as generalized quantifiers (and not Kind nouns) which in English may raise to D, getting a generic reading, unlike in Romance languages where they only survive in governed positions (either by a verb or a preposition), getting an existential reading. According to Delfitto (2002), when Subject Bare Nouns get an existential reading in English, they are supposedly reconstructed inside the Verbal Phrase and the empty D is through other syntactic mechanisms licensed. Thus the c-command restraint for existential readings holds throughout languages. In the case of non-permanent Individual-level predicates, Delfitto (2002) suggests that a relative clause (along the lines of Kaye, 1994 and Bianchi, 1995) may license and legitimate the empty D. An unbound (overt or covert) quantifier allows for a generic reading of the sentence (through quantification over events), although it does not change the existential reading of the Subject. European Portuguese is a Romance language that generally behaves like Italian as described by Delfitto (2002). In fact, Oliveira & Cunha (2003) give full evidence that the occurrences of Kind nouns in European Portuguese crucially depend on the presence of a definite determiner. Thus, Bare Nouns are not Kind Nouns and can never be assigned generic readings. They occur in post-verbal positions and get an existential reading. However, Bare Noun Phrases may occur in different discourse, syntactic and semantic contexts and that apparently contradicts the above mentioned analyses. Pre-verbal Subject Bare Nouns may occur in European Portuguese with Kind- and Individual-level predicates and characterizing sentences – as categorical judgements – getting a non-existential reading by being marked topics. But they also occur, getting an existential reading in sentences where they are discourse sub-topics in descriptive contexts, like ‘scripts’ in Fillmore (1985) sense. When they get a non-existential reading, contexts in which they occur are similar to proverbial sentences, as they are described by Lopes (1992). Lopes (1992) suggests that the generic reading of these phrases is a property of a determiner-less phrase. Bare Noun Phrases occurring in proverbs are typically singular ones, though. And morphological number is crucial for describing the different properties of both singular and plural Bare Nouns. Bare Singulars cannot occur with Kind-level or Stage-level state predicates and they always get a prototypical reading. On the other hand, Bare Plurals always denote a non-specific set of atoms which allows them to occur in a larger variety of contexts. Following works like those of de Swart, Winter & Zwarts (2007) or Espinal (2010), I assume number information is crucial for the analysis of Bare Nouns. So, I also adopt a Number Phrase (Ritter, 1991) as part of the Determiner Phrase, where the noun moves to in order to check [count] (Crisma, 1999) and [plural] features. Number Phrase is also present in the cases of Bare Singular Subjects. The D position contains non-checked features of Person (Longobardi, 2008), Reference or Definiteness which, in European Portuguese, are not checked by N(oun)-raising to D. The survival of the pre-verbal position of Bare Nouns depends on the combination with both akstionsart values and types of predicates with which they occur, in a similar way Oliveira, F. et al. (2006) suggest. The [±habitual] feature determines the possibility or the impossibility of movement of the subject Noun Phrase to a pre-verbal (Spec, TP or, in this case, Top, P) position. In what Bare Nouns getting a non-existential reading are concerned, the [+ gnomic] feature must be present, according to the analysis of Lopes (1992) for proverbial contexts. The suggestion that Bare Noun Phrases occurring with predicates with a [+gnomic] feature move to the left-periphery has two motivations: first, this position is a non-argument one and thus escapes the government or asymmetric c-command by a verb or a preposition constraint, allowing for a non-existential reading of the noun; secondly, the non-checked features in the empty D position are legitimated by a feature in TopP, namely the ‘aboutness’ feature, according to Reinhart (1981) for marked topics. Though Subjects in European Portuguese are non-marked topics, as suggested by Costa & Duarte (2002), the syntactic and semantic properties of Bare Nouns and of the contexts in which they occur allow them to move for discourse purposes. They are a part of ‘common ground management’, along the lines suggested by Bianchi & Frascarelli (2010). These phrases are ‘aboutness topics’ or ‘contrast topics’ (Büring, 1999), and they occur in root-sentences or epistemic subordinates. They are thus crucially distinct from definite phrases in preverbal Subject position which do not rely on discourse restraints. The availability of a non-existential reading of pre-verbal Subject Bare Nouns of activity predicates also depends on a parallelism effect: Bare Nouns as Objects facilitate a nonexistential reading of a Subject Bare Noun when occurring with a [+ gnomic] feature predicate. The topicalization construction, as described by Duarte (1987 e 1996), corresponds to the syntactical behavior of Bare Nouns in pre-verbal position getting a non-existential reading. The availability of this construction in Portuguese explains the differences with Spanish and Italian, where topicalization is not available. In descriptive contexts, Bare Plurals occur as sub-topics of a ‘script’ (Fillmore, 1985), i.e. they are information resulting from a stereotype situation. According to Abbot, Black &Smith (1985), ‘scripts’ are structured in a hierarchy. Lower levels are in a partonimy relation with higher levels. Thus, an explicit or implicit situation allows for the inclusion of low-level explicit information which may not be inferred. Inferences, in the sense of Johnson-Laird (2013), especially inductions, lead to one of the possible conclusions for the premise expressed by the broader discourse topic. Thus, Bare Noun Phrases can be pieces of a lower level rank in a hierarchy which may be inferred or the possible inferences of higher rank information. They get existential readings and are reconstructed in a post-verbal position. The sentences in which these Bare Nouns occur are thetic judgements. The pre-verbal position makes them prominent and their position in Spec, TP is allowed by an accumulation of events or states or by a logical connection in which there is no lexical connector. The paratactic connection follows from the meaning hierarchic created by the ‘script’. In these cases, when Bare Nouns co-occur with the Indicative Present, it does not have a [+gnomic] feature. In most cases of adverbial subordination (central or peripheral) or in relative clauses, the preferred existential reading of Bare Nouns as pre-verbal Subjects suggests that some conjunctions may have lexical content and be able to c-command the empty D. As for modifiers, Delfitto (2002) analysis cannot be extended to adjectives or Preposition Phrases. According to Miguel (2004), only pre-nominal adjectives which can never be postnominal (like ‘mero’) are not able to modify non-definite nouns. They cannot thus occur with Bare Nouns. All other adjectives can. If we take Lopes (1992) suggestion to be true, postnominal adjectives create a sub-kind, and they may facilitate the assignment of non-existential reading to the Bare Noun. Post-nominal adjectives which may also occur in pre-nominal position trigger a preferred existential reading (Demonte, 1999). Relative clauses generally improve the acceptability of Bare Nouns as pre-verbal Subjects in European Portuguese. But they do it generally, i.e. also with Kind-level, non-phase (Oliveira, & Cunha, 2003) Individual-level predicates or Stage-level (non-locative) predicates. Thus, Delfitto (2002) suggestion can hardly be generalized to all types of modification. The acceptance by native European Portuguese speakers of pre-verbal (non-modified) Subject Bare Nouns follows from special discourse contexts and depends either on the licensing of the empty D by a category with some lexical content or by the occurrence of the Bare Noun as a discourse sub-topic in an explicit or inferred sequence. When it gets a non-existential reading,the Bare Noun has moved to a non-argument position. Typically, these differences relate to the types of predicate they occur with and to a [±gnomic] feature. If they occur as true arguments, they get, as expected, an existential reading. If they are allowed to move up, Bare Nouns will get a non-existential reading.
Língua portuguesa - Frase nominal, Língua portuguesa - Sintagma nominal, Língua portuguesa - Semântica, Domínio/Área Científica::Humanidades::Línguas e Literaturas, Teses de doutoramento - 2018, Língua portuguesa - Sintaxe
Língua portuguesa - Frase nominal, Língua portuguesa - Sintagma nominal, Língua portuguesa - Semântica, Domínio/Área Científica::Humanidades::Línguas e Literaturas, Teses de doutoramento - 2018, Língua portuguesa - Sintaxe
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