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Apesar de serem reconhecidamente importantes, o valor das perdas de produtos agrícolas é de difícil mensuração a partir dos dados econômicos mundiais. Estudo conduzido pela FAO (Gustavsson et al., 2011) buscou suprir esta deficiência, fornecendo estimativas para grupos de países definidos com base nas similaridades geoeconômicas, referentes às perdas de alimentos em diferentes etapas da cadeia produtiva. Neste estudo constatou-se que as perdas pós-colheita (correspondente às etapas de: manuseio; processamento e distribuição) nos países com baixo nível de renda são superiores àquelas observadas para os países de média/alta renda. Já os países mais ricos têm perdas superiores aos mais pobres nas etapas de produção e consumo. O presente estudo teve como objetivo estimar, com base nos dados fornecidos pelo estudo da FAO, os impactos econômicos da redução de tais perdas para os níveis observados em países de média/alta renda. Os impactos econômicos foram estimados considerando o mercado de bens e serviços de toda a economia brasileira. Para isto, foi utilizada a matriz insumo produto mais recente estimada para o país, que é de 2009. Observou-se que, a preços de 2012, a redução nas perdas pós-colheita de produtos agrícolas no país para níveis observados em países de alta e média renda, implicaria em um aumento anual de R$9,8 bilhões no valor da produção agrícola ou 78% da soma do valor da produção de todo arroz e feijão obtido no país, segundo dados do IBGE (PAM de 2012). Além disto, identifica-se que os impactos diretos, indiretos e de efeito renda de um aumento na demanda por serviços de processamento, transporte e comércio originado pelo aumento da oferta destes produtos, pode elevar, anualmente, o valor da produção da economia em R$18 bilhões, o PIB do país em R$9,7 bilhões e gerar mais de 300 mil empregos e R$3,6 bilhões em remuneração. Mais da metade deste impacto decorre do aumento na demanda pelo processamento. Analisando os impactos na economia provocados pela redução nas perdas pós-colheita por grupos de produtos, verificou-se que 70% dos impactos estimados ocorreram pela redução nas perdas de: frutas e hortaliças; oleaginosas e; raízes e tubérculos. Redução nas perdas de carnes, leite e cereais responderam pelo restante dos impactos. Tais resultados ilustram que, face à grande importância dos produtos agrícolas para a economia brasileira, a redução nas perdas pós-colheita pode gerar benefícios econômicos substanciais para o país.
processamento, transporte, ddc:330, perdas pós-colheita, comércio, Q56, Q13
processamento, transporte, ddc:330, perdas pós-colheita, comércio, Q56, Q13
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