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A atividade policial, em geral, é caracterizada por tarefas stressantes e exigentes e pelo trabalho por turnos que dificulta o equilíbrio do tempo de trabalho com o sono adequado. Procurou-se assim avaliar o stress ocupacional, a qualidade do sono e a possível influência do trabalho por turnos, numa amostra de 50 polícias municipais, através de um estudo transversal. Para caracterização do stress, foi aplicado o questionário Spielberger Police Stress Survey, com determinação do nível (intensidade) do stress percecionado, frequência de eventos stressantes e índice de stress. Para caracterização da qualidade do sono, foi aplicado o questionário Pittsburgh Sleep Quality Index, com determinação do índice PSQI. Os polícias municipais da amostra evidenciaram stress com uma intensidade moderada (média de nível de stress 5,9 ± 2,3). No entanto, foram identificados fatores stressores que evidenciaram provocar elevado stress nos polícias da amostra como Considerar que a remuneração não é adequada (66,9), Falta de tempo para a família (49,4), Comunicados da imprensa negativos sobre a Polícia (41,7), Críticas à atuação da Polícia (42,3), Mudança de turno diurno para noturno (39,2), Falta de recursos humanos (38,9), Falta de reconhecimento pelo desempenho profissional (35,5). Os fatores que causam maior stress nos polícias municipais da amostra verificaram-se ser os stressores do tipo falta de apoio, seguidos dos stressores do tipo pressão administrativa e organizacional. Os homens e os polícias que fazem turnos noturnos ou diurnos e noturnos rotativos, apresentaram índices de stress mais elevados. Relativamente à qualidade do sono, a média do índice PSQI na amostra é de 8,6 ± 3,9, sendo que 78,6% dos respondentes apresentam uma deficiente qualidade do sono (PSQI > 5). O número de horas dormidas foi em média de 5,2 ± 1,1 horas, encontrando-se abaixo do recomendado e 16,7% dos respondentes tomam medicação para dormir pelo menos 1 vez por semana. Os polícias da amostra que fazem turnos noturnos ou diurnos e noturnos rotativos, apresentam uma média de índice PSQI tendencialmente superior à dos colegas que têm um horário diurno estável. Considerando apenas os respondentes do sexo masculino, verificou-se uma associação significativa, embora fraca, entre o índice de stress e o índice PSQI, evidenciando que como esperado, um maior stress está associado a uma pior qualidade de sono entre os homens da amostra. Os fatores stressores do tipo pressão administrativa e organizacional são os que parecem apresentar uma relação mais estreita com a qualidade do sono. É de salientar que estes resultados não permitem inferir um nexo de casualidade. Na globalidade da amostra, o índice de stress está associado apenas com a componente 7 do índice PSQI - disfunção diurna, significando que um maior stress está associado a disfunção diurna do sono. Na classe do sexo masculino, também se verificou associação entre o índice de stress e a componente 6 do índice PSQI – utilização de medicação para dormir, indicando que os homens que manifestam mais stress, recorrem tendencialmente mais a medicação para dormir. Desta forma, é identificada a necessidade de intervenções direcionadas no contexto laboral estudado, como a reorganização dos horários de turnos, a implementação de programas de saúde e bem-estar, com ênfase na promoção da higiene do sono e mitigação do stress. A presente dissertação propõe medidas de atuação nesses domínios, permitindo auxiliar a Polícia Municipal a encontrar formas de promover a saúde, segurança e performance dos seus polícias.
Polícia Municipal, Municipal Police, Trabalho por turnos, Pittsburgh Sleep Quality Index, Spielberger Police Stress Survey, Stress, Sleep, Shifts, Sono
Polícia Municipal, Municipal Police, Trabalho por turnos, Pittsburgh Sleep Quality Index, Spielberger Police Stress Survey, Stress, Sleep, Shifts, Sono
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