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Introdução: A hidroxicloroquina é um fármaco antimalárico que pertence ao grupo 4-aminoquinolonas. Para além destas propriedades, apresenta características imunomoduladoras e anti-inflamatórias. Os efeitos adversos mais comuns são de cariz gastrointestinal e cardiovascular, neurotoxicidade e também retinopatia. Relativamente às interações medicamentosas, a hidroxicloroquina interfere com vários fármacos, nomeadamente a digoxina, insulina, amiodarona, moxifloxacina, azitromicina, tamoxifeno e praziquantel. Em 2020, com o surgimento da pandemia COVID-19 os investigadores utilizaram medicamentos já existentes com potencial para o tratamento de COVID-19, de entre os quais a hidroxicloroquina, que acabou por ser utilizada off-label. Dos ensaios clínicos conhecidos pode concluirse que a hidroxicloroquina apresenta muitos efeitos adversos que podem colocar em risco a saúde dos doentes infetados com SARS-CoV-2. Objetivos: O objetivo desta pesquisa foi descrever o perfil de efeitos adversos da hidroxicloroquina em pacientes com COVID-19 e caracterizar os riscos associados ao uso off-label da hidroxicloroquina. Métodos: Foi conduzido um estudo observacional, retrospetivo e descritivo, cujo objetivo foi perceber os efeitos adversos da hidroxicloroquina em doentes COVID-19. Foi elaborada uma pesquisa de artigos científicos em bases de dados como PubMed® (Medline) e Google Scholar®, tendo em conta os critérios de inclusão e exclusão. Os dados foram recolhidos da base de dados “Eudravigilance” e, posteriormente, analisados através de estatística descritiva, com auxílio do software R Studio®. Resultados: Os resultados apresentam informações acerca da fonte de notificação, sexo do paciente, reações adversas, casos off-label e a sua evolução, medicamentos avaliados no estudo e mortes avaliadas no período pré e pós-pandemia. Verifica-se que os profissionais de saúde são quem mais notifica (92%, n=2223), bem como as mulheres são o sexo que representa a maior percentagem de pacientes notificados (2020: 64%; 2021: 81%). A análise das faixas etárias permitiu concluir que a dos 18-64 anos apresenta maior número de pacientes notificados (2020: 49%; 2021: 53%). Relativamente às reações adversas, confirma-se que as mesmas aumentaram bastante a partir do ano de 2020, devido ao aparecimento da pandemia, havendo um aumento de 310% das RAM nos anos de pandemia (2020-2021) face aos três anos em anteriores (2017 a 2019). A utilização off-label da hidroxicloroquina também foi um aspeto importante a considerar neste estudo, pelo que o tratamento da COVID-19 foi a patologia que maior percentagem apresentou neste parâmetro (2020: 26% das reações suspeitas de terem sido causadas pela hidroxicloroquina; 78% das reações suspeitas de terem sido causas pela hidroxicloroquina em interação com outro medicamento. 2021: 8% das reações suspeitas de terem sido causadas pela hidroxicloroquina; 55% das reações suspeitas de terem sido causas pela hidroxicloroquina em interação com outro medicamento). Ao longo do estudo avaliou-se a evolução dos casos off-label, verificando-se que o risco de vida e a incapacidade foram crescendo ao longo deste período de pandemia. Por outro lado, comparando antes e depois da COVID-19, os indivíduos que apresentavam outras condições clinicamente importantes foi um dos aspetos que mais evoluiu (n= 175 para n=1334). Por vezes a hidroxicloroquina foi utilizada em administração concomitante com outros fármacos, podendo as RAMs serem causadas pela hidroxicloroquina como principal medicamento suspeito, ou da interação com outras substâncias. Deste modo, os grupos farmacológicos que mais se utilizaram foram os antirretrovirais e alguns antibióticos. Por fim, também foram avaliadas as mortes associadas à toma de hidroxicloroquina, das quais 67% são descritas em utilização off-label. Discussão: O número de notificações de reações adversas à hidroxicloroquina aumentou bastante durante a pandemia, sendo os profissionais de saúde quem mais notificou. O potencial de dano aumentou, uma vez que a administração off-label da hidroxicloroquina foi associada a um aumento da incidência e gravidade das reações adversas. Contudo, associada a outros medicamentos, este fármaco pode potenciar determinadas reações adversas, como o prolongamento do intervalo QT, náuseas, tonturas, hipoglicemia, insuficiência cardíaca, entre outras. No que diz respeito aos outcomes, parece ocorrer um aumento do número de mortes associadas à hidroxicloroquina, no entanto a causalidade não está estabelecida para os dados observados. Conclusão: A hidroxicloroquina apresentou reações adversas variadas nos dados observados, sendo que pela sua utilização off-label durante a pandemia se demonstrou um aumento da sua incidência. Em relação à COVID-19, inicialmente não existia um tratamento específico, pelo que se efetuaram ensaios clínicos com vários medicamentos, incluído a hidroxicloroquina. Através dos resultados deste estudo, conclui-se que os profissionais de saúde são quem mais notificou e que o sexo feminino é o género que apresenta maior percentagem de pacientes notificados. Sabe-se que a hidroxicloroquina causa efeitos adversos, porém as reações adversas podem não estar associadas diretamente à hidroxicloroquina, pois existem alguns fatores que colocam a sua eficácia em risco, como as comorbilidades e medicamentos concomitantes. A utilização off-label da hidroxicloroquina demonstrou colocar em risco o estado clínico dos indivíduos.
Hidroxicloroquina, Efeitos Colaterais e Reações Adversas Relacionados a Medicamentos, Drug-Related Side Effects and Adverse Reactions, Toxicity, COVID-19, Toxicidade, Hydroxychloroquine
Hidroxicloroquina, Efeitos Colaterais e Reações Adversas Relacionados a Medicamentos, Drug-Related Side Effects and Adverse Reactions, Toxicity, COVID-19, Toxicidade, Hydroxychloroquine
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