
handle: 10400.26/38114
As aflatoxinas (AF) são metabolitos secundários produzidos por fungos do género Aspergillus caracterizadas pela sua elevada toxicidade para animais e humanos. No caso dos ruminantes, quando estes ingerem alimento contaminado com AFB1, esta sofre uma metabolização principalmente no fígado originando outros metabolitos, nomeadamente AFM1, que é excretada no leite. As AFs, segundo a Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), estão incluídas no grupo 1 como agente carcinogénico humano. A AFB1, a micotoxina com a maior carcinogenicidade conhecida, apresenta comprovada associação à ocorrência de carcinoma hepatocelular, bem como à existência de evidência da sua atuação sinérgica com o vírus da hepatite B (VHB). Sendo impossível fazer a eliminação total da presença das micotoxinas, torna-se essencial garantir a implementação de estratégias que reduzam a sua concentração em produtos que se destinam à alimentação humana e animal, bem como, controlar os teores presentes nos alimentos. O objetivo do estudo foi avaliar a ocorrência da AFM1 em leite (bovino e caprino) produzido nos Açores, destinado ao fabrico de queijo fresco. Pretendeu-se ainda determinar o teor de AFM1 no queijo e soro resultantes, para avaliar a exposição e risco dos consumidores. Para tal foram recolhidos 14 conjuntos de amostras de leite bovino, respetivo queijo fresco e soro resultantes e 6 conjuntos de amostras de leite caprino, respetivos queijos e soro resultantes, perfazendo um total de 60 amostras. Estas foram recolhidas nos meses de março e abril de 2021 e analisadas através do método de um imunoensaio competitivo (Ridascreen, R-biopharm). Verificou-se que, considerando todas as amostras analisadas, a frequência de contaminação e o teor de AFM1 foi superior nas amostras de queijo (65%; 159,3 ng/L) comparativamente às amostras de leite (15 %; 6,9 ng/L) e soro (5 %; 6,9 ng/L). No caso do queijo de cabra, a frequência de contaminação foi superior e o teor de AFM1 foi inferior (83,3 %; 116 ng/L) relativamente ao queijo de vaca (57,1%; 186,3 ng/L). Estes resultados são semelhantes aos registados em estudos prévios similares que descrevem um aumento da concentração de AFM1 em queijos, apesar de não existir, na União Europeia nenhum limite máximo aplicável neste alimento. Na avaliação da exposição humana à AFM1 pelo consumo de queijo fresco verificou-se que o consumo de queijo fresco de bovino representa um contributo superior, relativamente ao consumo de queijo de cabra. O risco estimado no caso das crianças foi superior aos adultos, sendo identificadas por isso como mais vulneráveis. A concentração estimada de AFB1 na alimentação animal dos bovinos foi de 0,35 μg/Kg, enquanto nos caprinos foi de 3,99 μg/Kg, e, portanto, inferiores ao Limite Máximo em vigor (5 μg/kg). É recomendada a realização de estudos adicionais, para garantir a monitorização contínua e diminuição do risco associado à exposição humana à AFM1, em particular dos grupos mais vulneráveis como as crianças.
Bovino, AFM1, Milk, Leite, Queijo-Fresco, Goat, Caprino, ELISA, Bovine, Açores, AFB1, Fresh cheese, Azores
Bovino, AFM1, Milk, Leite, Queijo-Fresco, Goat, Caprino, ELISA, Bovine, Açores, AFB1, Fresh cheese, Azores
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