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Quando sentimos que faltou qualquer coisa, o melhor é voltar a fazer. Foi esse o meu desafio. Voltar a pegar num texto que estreei enquanto actriz mas desta vez assumir o papel de encenadora. Foi necessário abdicar da minha interpretação para poder ter um olhar exterior e ficar mais atenta ao meu interior. Remexi no meu passado, li-me neste presente. Pego num texto ficcionado e crio várias metáforas onde me revejo. Encontro a emoção e procuro encontrá-la também nas actrizes com quem trabalhei. Explorei-me e não ignorei a guerra que travo, procurando assim uma espécie de catarse. Falo da mulher que carrega aos ombros o peso da submissão e percebo-me que sou mulher. Voltei a pegar no texto ELAS de Rafael Polónia – ex profissional de teatro que abdicou dos palcos para ser líder de viagem - que o escreveu depois de termos terminado uma longa viagem de bicicleta e passado por países onde o convívio com as mulheres de diferentes culturas nos foi próximo. Senti necessidade em voltar a pôr em cena o ELAS mas desta vez queria que as palavras do texto chegassem ao público como que “um murro no estômago”. Senti necessidade de perceber como as mudanças na minha vida me fizeram ver o mesmo texto. Senti necessidade de observar e observar-me enquanto encenadora. Com as actrizes, falámos dos nossos medos, das nossas prisões, das nossas guerras, do peso que é carregar a palavra Mulher. Houve encontros onde as lágrimas corriam pela face e isso fazia-me sorrir pois há uma necessidade em dar o tal “murro no estômago” e pôr cá para fora os nossos gritos.Usei o método de Stanislavski para encontrar a verdade nas actrizes e encontrámos essa verdade, remexendo no passado. Falámos das guerras e em quem temos de “matar” para sair das nossas prisões. Trabalhámos a memória, as lembranças, os sentidos, as emoções. Levámos o corpo ao cansaço e observámos o peso das palavras. Ao longo destas páginas encontrar-me-ão, como se tivessem acesso ao meu diário pessoal. Trago o que tenho dentro e partilho, apresentando assim uma auto-etnografia como metodologia de trabalho.
Dramaturgia portuguesa, Auto ficção, Mulheres, Acting, Violência de género, Portuguese playwriting, Self fiction, Women, Encenação, War, Guerra, Gender violence
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