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As doenças infeciosas de etiologia bacteriana foram sempre um grave problema para a sociedade, não só pela sua fácil e rápida propagação, como pela elevada mortalidade e morbilidade. Após a descoberta da penicilina, em 1928, verificou-se um desenvolvimento exponencial de novos fármacos capazes de combater as infeções bacterianas, sendo a descoberta dos antibióticos um dos avanços científicos mais importantes do século XX. No entanto, com a massificação da sua utilização, muitas vezes inapropriada, a eficácia destes fármacos tem vindo a diminuir ao longo dos anos. A Klebsiella pneumoniae pertence à família Enterobacteriaceae e é reconhecida há muito tempo como um agente causador de doenças, descrito pela primeira vez por Carl Friedländer, em 1882, como causa de pneumonia. Na última década emergiu como uma grande ameaça clínica e de saúde pública devido ao aumento de infeções ligadas a estirpes multirresistentes associadas aos cuidados de saúde, produtoras de β-lactamases e/ou carbapenemases de espetro alargado, permanecendo, de acordo com o Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos no grupo das bactérias mais comuns e mais problemáticas a nível mundial. Em Portugal, a taxa de K. pneumoniae resistente aos carbapenemos tem aumentado progressivamente de 2,0% para 11,6%, entre 2012 e 2020, sendo atualmente, a 7.ª taxa mais elevada entre os países europeus participantes na rede de monitorização. Esta bactéria pode causar diversos tipos de infeções, como pneumonia, infeções do trato urinário, septicémia e infeção da pele e tecidos moles, entre outras. No que diz respeito à antibioterapia, destacam-se os β-lactâmicos, sendo os carbapenemos a última linha de atuação. Outras opções terapêuticas incluem os aminoglicosídeos, a tigeciclina, a eravaciclina, as fluoroquinolonas, o cotrimoxazol e, como última opção, a colistina. O farmacêutico, enquanto profissional de saúde e especialista do medicamento, poderá contribuir para alcançar os objetivos terapêuticos delineados, incluindo a melhoria na qualidade de vida dos utentes. Com efeito, a sua intervenção deve centrar-se na otimização dos benefícios da farmacoterapia e na gestão da doença, na prevenção e controlo de infeções e na promoção do uso racional de antibióticos.
Klebsiella pneumoniae, Mecanismos de resistência, Farmacêutico hospitalar, Antibioterapia, Infeções associadas aos cuidados de saúde
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